A relação entre religião e política voltou ao centro do debate eleitoral de 2026 após a circular a informação que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) teria a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, em aceno ao eleitorado evangélico. Em um vídeo postado nas redes sociais na noite desta quarta (24), Flávio disse que “não existia este projeto”.
O texto citado nas publicações é o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli e arquivado pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008.
Flávio publicou um vídeo negando a intenção de reabrir a discussão do projeto. “Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto”, afirmou o candidato.
Fala de arcebispo repercute nas redes
A discussão ocorreu paralelamente à repercussão de manifestações de integrantes da Igreja Católica sobre as eleições de 2026.
Durante uma missa realizada em 7 de setembro, no Santuário Nacional de Aparecida, o arcebispo emérito Dom Orlando Brandes orientou os fiéis a escolherem seus candidatos levando em conta a própria consciência e o bem comum.
“Que elejamos aquelas pessoas segundo o nosso coração, segundo a nossa consciência e segundo o nosso conhecimento. Pensando no bem de todos, pensando no bem comum”, afirmou.
Na mesma homilia, Brandes defendeu a soberania brasileira e afirmou: “Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, não deve mandar aqui”.
Igreja Católica
Outros bispos também fizeram manifestações relacionadas às eleições. Bispos da Regional Norte 1 da CNBB, que reúne dioceses do Amazonas e de Roraima, recomendaram que os fiéis considerem, entre outros aspectos, o compromisso dos candidatos com a democracia, os direitos da população e a preservação da natureza.
A própria CNBB reforçou que a Igreja não indica candidatos ou partidos e defendeu a participação consciente dos católicos no processo eleitoral.
Projeto citado nas redes é de 2007
O projeto que deu origem à atual polêmica foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta pretendia alterar a legislação relacionada ao feriado de 12 de outubro e substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O texto, no entanto, foi arquivado pela Câmara em 22 de agosto de 2008. Galli é aliado de longa data da família Bolsonaro no Centro-Oeste e participou de articulações políticas com o grupo ao longo dos últimos anos.







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