Um grupo formado por ex-ministros de governos anteriores, juristas, economistas, empresários, dirigentes sindicais e representantes da sociedade civil divulgou neste domingo, 13 de setembro, uma carta de apoio ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
O documento manifesta apoio às medidas adotadas pelo ministro para preservar a autoridade da Corte e defende que as acusações divulgadas nas últimas semanas sejam investigadas com rigor e imparcialidade, seguindo o devido processo legal.
Os signatários também afirmam que o STF precisa garantir transparência nas investigações e na sessão plenária marcada para 15 de setembro. Segundo a carta, o encontro deve ocorrer de forma pública, conforme determina o artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal.
Ex-ministros e nomes que assinam
Entre os signatários estão Pedro Malan, José Carlos Dias e Miguel Reale Jr., que ocuparam cargos durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Também assinam Paulo Vannuchi, ex-ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva, e José Eduardo Cardozo, que integrou o governo Dilma Rousseff.
A carta também recebeu as assinaturas dos economistas André Lara Resende, Persio Arida, Edmar Bacha e Arminio Fraga. Entre os juristas estão Oscar Vilhena, Joaquim Falcão e Antonio Claudio Mariz de Oliveira.
No setor empresarial, aparecem nomes como Candido Bracher, Carlos Jereissati, Fábio Barbosa, Guilherme Leal, Horácio Piva e Josué Gomes.
Também assinam o documento dirigentes das principais centrais sindicais: Sergio Nobre, da CUT; Miguel Torres, da Força Sindical; Ricardo Patah, da UGT; e Ronaldo Leite, da CTB.
Carta cobra apuração e transparência
Os signatários classificam o momento como uma crise de grande dimensão para o STF e defendem a apuração dos fatos e eventual responsabilização de quem tenha cometido irregularidades ou violado a lei.
O grupo afirma ainda que a recuperação da confiança nas instituições depende da investigação das acusações e da preservação da democracia constitucional.
A carta também defende reformas institucionais no Supremo. Entre as medidas citadas estão o fortalecimento da colegialidade, a garantia de imparcialidade nos julgamentos, a prevenção de conflitos de interesse, regras mais rigorosas de conduta e ampliação da transparência e do controle social sobre a Corte.
Documento fala em interesses pessoais, políticos e econômicos
No trecho central do documento, os signatários afirmam que a jurisdição do Supremo não pode ser submetida a interesses pessoais, políticos ou econômicos que possam atingir a democracia constitucional.
A manifestação ocorre às vésperas da sessão plenária prevista para 15 de setembro e reforça o apoio dos signatários à condução adotada por Fachin diante das acusações mencionadas no documento.
A carta é assinada por representantes de diferentes áreas e por ex-integrantes de governos de diferentes períodos, reunindo nomes ligados a setores da política, economia, Judiciário, empresas e movimento sindical.
Leia a íntegra da carta
A S. Ex.ª o Ministro Edson Fachin
Presidente do Supremo Tribunal Federal
Brasília, 13 de setembro de 2026
Senhor Ministro Presidente,
Os cidadãos e representantes da sociedade civil abaixo assinados vêm manifestar seu integral apoio às medidas adotadas por V. Ex.ª, com o objetivo de preservar a autoridade do Supremo Tribunal Federal e promover, sob a estrita observância do devido processo legal, a mais rigorosa e imparcial apuração dos fatos e das gravíssimas acusações que vieram a público nas últimas semanas.
Para isso, é fundamental assegurar ampla transparência às investigações e à sessão plenária marcada para o próximo dia 15 de setembro, que deve ocorrer de forma pública, nos termos do artigo 93, IX, da Constituição Federal.
Estamos vivendo a mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal e certamente uma das mais graves de nossa acidentada história republicana. A apuração dos fatos e a responsabilização daqueles que eventualmente violaram a lei e a dignidade de seus cargos são indispensáveis para que possamos recobrar a confiança nas instituições e preservar nossa democracia.
Entendemos, ainda, que a superação dessa crise exigirá reformas institucionais urgentes, capazes de fortalecer a colegialidade, assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenir conflitos de interesse, estabelecer padrões rigorosos de conduta e ampliar a transparência e o controle social sobre a Corte e seus integrantes.
O Supremo Tribunal Federal não pode deixar que sua jurisdição seja capturada por interesses escusos, de natureza pessoal, política ou econômica, que atentem contra nossa democracia constitucional.







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