O assassinato do galerista estadunidense Brent Sikkema, dentro de sua casa no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, levou seu ex-marido à prisão perpétua nos Estados Unidos, segundo informa o portal g1. Daniel Sikkema, de 56 anos, recebeu a sentença na quarta-feira (4), após a Justiça dos EUA concluir que ele planejou e pagou pelo crime durante um processo conturbado de divórcio.
A pena foi anunciada pelo Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York. Em 22 de maio deste ano, um júri federal já havia considerado Daniel culpado por homicídio por encomenda, conspiração para cometer homicídio por encomenda e conspiração para cometer um assassinato em outro país. O julgamento durou duas semanas.
Brent tinha 75 anos e era fundador da galeria nova-iorquina Sikkema Jenkins, conhecida por representar artistas como Vik Muniz e Kara Walker. O marchand mantinha uma residência no Rio, onde costumava passar temporadas.
Acusação identificou 11 pagamentos ligados ao plano
Segundo a Procuradoria dos Estados Unidos, Daniel começou a negociar o assassinato com o cubano Alejandro Triana Prevez em 2023. Para financiar a execução, realizou 11 pagamentos destinados a Prevez e a uma pessoa com quem ele mantinha um relacionamento em Cuba.
A acusação sustentou que Daniel utilizou nomes de amigos, funcionários e parentes, sem que eles soubessem, para ocultar a origem das transferências.
Durante o julgamento, a defesa apresentou outra explicação para as movimentações financeiras: afirmou que os valores correspondiam a serviços prestados por Prevez. Antes da decisão dos jurados, os advogados sustentavam que Daniel era inocente.
Ao apresentar o caso ao júri, a procuradora federal assistente Meredith Foster afirmou que ele havia “encomendado e pagado pelo assassinato do marido” e manipulado outras pessoas para colocar o plano em prática.
Galerista foi morto com 18 facadas
Brent foi assassinado em 14 de janeiro de 2024. De acordo com a acusação apresentada nos Estados Unidos, Prevez atingiu o galerista com 18 facadas dentro da residência.
A promotoria dos EUA afirmou que, minutos depois do crime, Prevez fez várias ligações para Daniel usando um número secreto empregado nas conversas sobre o assassinato.
Ainda segundo a acusação, Daniel enviou secretamente US$ 5 mil ao executor pouco depois da morte e prometeu novos pagamentos.
Prevez foi preso pela polícia brasileira quatro dias após o crime. Em depoimento citado pelo g1, afirmou ter recebido US$ 9 mil para cometer o assassinato. O processo contra ele permanece em andamento na Justiça brasileira.
Investigação reuniu autoridades dos dois países
A apuração nos Estados Unidos teve participação do FBI e colaboração de autoridades brasileiras, entre elas a Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público Federal no estado.
Após o veredicto de maio, a equipe jurídica de Daniel não informou se apresentaria recurso contra a condenação.







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