Lula deixa definição de ministérios para depois de viagem à Turquia e Filipinas

Edinho Silva negocia com dirigentes partidários para ampliar base enquanto aliados aguardam escolha para a Fazenda e orientação fiscal do quarto mandato

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A formação do ministério do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ganhar impulso apenas após o retorno do presidente ao Brasil, previsto para 16 de novembro, informa a colunista Jussara Soares, da CNN Brasil. Até lá, enquanto mantém reservadas as decisões sobre a equipe, o petista deixa com o presidente do PT, Edinho Silva, as conversas para ampliar o apoio partidário ao próximo governo.

Lula embarca na segunda-feira (9) para compromissos na Turquia e nas Filipinas. Em Antália, participa da COP31 nos dias 11 e 12. Depois, segue para Manila, onde acompanhará a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), entre os dias 13 e 15.

Segundo interlocutores do governo, o presidente tem evitado discutir a composição ministerial com quem o procura. A viagem, contudo, pode criar oportunidades para tratar tanto da montagem da equipe quanto da relação com o Congresso.

Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foram convidados a integrar a comitiva, mas ainda não responderam. O governo já anunciou apoio à reeleição dos dois no comando das Casas.

Escolha da Fazenda deve orientar montagem da equipe

Entre os aliados, a expectativa é que as negociações sobre o ministério avancem depois da definição de quem comandará a Fazenda e da política fiscal que será adotada no quarto mandato.

Enquanto essas decisões permanecem em aberto, circulam hipóteses sobre mudanças na estrutura ministerial, na distribuição de funções no núcleo do Palácio do Planalto e na eventual indicação de políticos derrotados nas eleições para a Esplanada.

Edinho concentra negociação nas cúpulas partidárias

Por orientação de Lula, Edinho Silva abriu diálogo diretamente com os dirigentes dos partidos. A estratégia privilegia acordos com as cúpulas, em vez de negociações concentradas nas bancadas do Congresso.

Segundo relatos à CNN, o presidente do PT tem discutido a aproximação das siglas com o próximo governo e cobrado maior fidelidade nas votações. As conversas ainda não chegaram à distribuição de cargos.

Edinho já procurou Baleia Rossi, presidente do MDB; Gilberto Kassab, do PSD; e Marcos Pereira, do Republicanos. O deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) tem representado o Progressistas nas tratativas.

Também há expectativa de uma reunião presencial com Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Dirigentes do Podemos e do Avante devem ser procurados pelo petista.

MDB e PSD aparecem como caminhos mais favoráveis

A avaliação entre aliados é que Lula precisará incorporar partidos de centro ao governo, além do PT e das legendas que apoiaram sua candidatura, como PSB, PSOL, Rede, PDT e PCdoB. O objetivo é ampliar a sustentação parlamentar diante do peso das bancadas do PL na Câmara e no Senado.

Nesse cenário, MDB e PSD são vistos como as siglas com maiores chances de conquistar espaço na nova gestão. Ambos permaneceram neutros no segundo turno, embora integrantes tenham apoiado Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A aproximação com Republicanos, União Brasil e PP é tratada com mais cautela no entorno presidencial. Os três partidos adotaram neutralidade no primeiro turno, mas se engajaram na candidatura de Flávio na etapa final da eleição.

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