Edir Macedo critica lema do bolsonarismo em culto no dia da eleição: ‘Não aprovo’

Líder da Igreja Universal questionou o slogan associado à família Bolsonaro e defendeu que a família deve estar acima da pátria; declaração viralizou após o segundo turno presidencial

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O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, criticou publicamente o lema “Deus, Pátria e Família”, associado ao bolsonarismo, durante um culto realizado na manhã de 25 de outubro, dia do segundo turno das eleições presidenciais. A declaração ganhou repercussão nas redes sociais após a votação que garantiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), derrotando Flávio Bolsonaro (PL).

Diante dos fiéis, Macedo afirmou não concordar com a ordem de prioridades estabelecida pelo slogan utilizado pelo movimento político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o líder religioso, a família deve ocupar o segundo lugar na hierarquia de valores, imediatamente depois de Deus, enquanto o Estado e as demais instituições devem ficar em posição secundária.

— Eu não aprovo aquela teoria “Deus, pátria e família” (…). Primeiro Deus, segundo a família, e terceiro o Estado, ou o que mais que queira ser. Na Igreja Universal do Reino de Deus nós priorizamos essa hierarquia: primeiro Deus — declarou o bispo.

Bispo questiona existência da pátria sem a família

Durante a pregação, Edir Macedo recorreu a personagens bíblicos, como Abraão e Isaac, para justificar sua posição. O religioso reforçou que, na visão defendida pela Universal, a estrutura familiar constitui a base da sociedade e deve preceder qualquer compromisso com o Estado.

— Se não houver família, vai haver pátria? Hein? Impossível! Só vai haver pátria quando vier da família, que vem de Deus. Primeiro Deus, aí a família e todas as demais coisas — afirmou.

Embora não tenha citado nominalmente Flávio ou Jair Bolsonaro nas declarações reproduzidas, a crítica chamou atenção pela associação histórica do lema ao bolsonarismo. O trecho do culto passou a circular nas redes em meio às repercussões do resultado eleitoral e às discussões sobre o posicionamento das lideranças evangélicas na política brasileira.

Universal adotou postura diferente nas eleições de 2026

A manifestação ocorre em um momento de mudança na estratégia eleitoral da Igreja Universal. Depois de apoiar Jair Bolsonaro na disputa presidencial de 2022, a instituição evitou declarar apoio oficial a Lula ou Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026.

A trajetória da Universal também inclui apoio a Flávio Bolsonaro em disputas anteriores, embora, na eleição presidencial deste ano, a direção da igreja tenha adotado uma postura de distanciamento dos principais candidatos.

No primeiro turno de 2026, a instituição concentrou esforços na eleição de representantes alinhados aos seus interesses para o Congresso Nacional e outras casas legislativas. A orientação foi apresentada por lideranças religiosas como uma estratégia de proteção institucional diante de propostas consideradas ameaças aos valores e à atuação da igreja.

Histórico de alianças políticas

A Universal mantém uma longa trajetória de participação na política brasileira, especialmente por meio de representantes ligados ao Republicanos, partido historicamente associado à denominação religiosa.

Entre os nomes de maior projeção política vinculados à igreja está o deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), sobrinho de Edir Macedo, ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-senador. A denominação também apoiou Jair Bolsonaro em eleições anteriores, especialmente na campanha presidencial de 2022.

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