Desembargador preso em ação da PF recebeu mais de R$ 125 mil em novembro

O magistrado Macário Ramos Júdice Neto acabou preso na segunda fase da Operação Unha e Carne, nesta terça-feira (16)

O desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, integrante do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), recebeu mais de R$ 125 mil como remuneração referente ao mês de novembro, segundo dados do Portal da Transparência da Justiça Federal. Ele foi preso pela Polícia Federal, na manhã desta terça-feira (16), durante a segunda fase da Operação Unha e Carne.

De acordo com os registros oficiais, Macário teve remuneração básica de R$ 90.187,61, além de gratificações e indenizações que, somadas, ultrapassaram R$ 35 mil no período.

Nos descontos, o Portal da Transparência também indica que foram abatidos R$ 45.090,10 do valor bruto recebido em novembro. Desse total, R$ 14.837,16 correspondem à contribuição para a Previdência Pública e R$ 6.595,83 ao Imposto de Renda.

Além disso, houve retenção de R$ 23.657,11 referente ao teto constitucional. Após os descontos, os rendimentos líquidos do desembargador no período somaram R$ 80.580,06.

O desembargador federal Macário Júdice Neto | Reprodução

A Polícia Federal prendeu Macário em sua residência, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A ação cumpriu um mandado de prisão e dez mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além do Rio, os agentes realizaram investigações no Espírito Santo.

Ação investiga vazamento de informações

A Operação Unha e Carne apura o vazamento de informações judiciais sigilosas relacionadas à Operação Zargun, realizada em setembro, que teve como alvo integrantes de uma organização criminosa com atuação no estado do Rio de Janeiro.

Nesse contexto, Macário Ramos Júdice Neto foi o magistrado responsável por expedir o mandado de prisão do então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, investigado na Operação Zargun. A atual fase da investigação busca esclarecer se informações sigilosas teriam sido repassadas de forma indevida. 

Bacellar volta a ser alvo da PF

Além da prisão do desembargador, a segunda fase da operação também teve como alvo o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil). Ele voltou a ser alvo de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (16), após ter sido preso na primeira fase da investigação.

Bacellar foi solto posteriormente por decisão do plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), mas permanece no centro das apurações conduzidas pela Polícia Federal, sob supervisão do STF.

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