Chuva forte em São Paulo deixa mulher morta, alaga túnel do Anhangabaú e provoca caos

Temporal provoca deslizamento fatal na zona norte, inunda vias e afeta o transporte; prefeitura suspende rodízio de veículos na capital paulista

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Uma forte chuva atingiu a cidade de São Paulo na tarde e no início da noite de quarta-feira (14), provocando alagamentos, deslizamentos de terra, quedas de árvores e transtornos no trânsito. Uma mulher de 47 anos morreu após um deslizamento atingir uma residência na Brasilândia, na zona norte da capital.

No centro da cidade, o túnel do Anhangabaú ficou inundado, deixando motoristas e passageiros presos em veículos, incluindo um ônibus. Alguns carros ficaram submersos e outros foram empilhados pela força da água. Na zona sul, o lago do parque Ibirapuera transbordou.

Diante dos impactos do temporal, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos no período da volta para casa. O Corpo de Bombeiros registrou, até as 18h, 11 chamados para quedas de árvores, quatro para desabamentos e 17 relacionados a enchentes.

Deslizamento deixa mulher morta na Brasilândia

A morte ocorreu na rua Santa Cruz do Monte Castelo, na Brasilândia. Segundo o Corpo de Bombeiros, o imóvel deslizou de uma encosta após a chuva. Oito viaturas foram mobilizadas para atender à ocorrência, mas a mulher foi encontrada entre os destroços sem vida.

O caso foi registrado no 72º Distrito Policial, na Vila Penteado. Na Bela Vista, região central, também houve o desabamento de parte dos fundos de uma pensão na rua Conselheiro Ramalho. Não houve registro de feridos nesse episódio.

Túnel do Anhangabaú fica inundado

O túnel do Anhangabaú, no sentido aeroporto, precisou ser interditado após o acúmulo de água. Motoristas e passageiros tentaram deixar os veículos quando perceberam a elevação do nível da água. Algumas pessoas subiram nos tetos e capôs dos carros para escapar da inundação.

O motorista de aplicativo Marco Antônio Peixoto, de 38 anos, relatou que a água entrou em seu carro e que ele precisou sair pela janela porque a porta não abria. Outros ocupantes dos veículos também enfrentaram dificuldades para abandonar o local.

O jornalista Leandro Luize, de 47 anos, contou que os motoristas tentaram alertar uns aos outros sobre a chegada da água. A presença de um ônibus articulado atrás dos veículos dificultou as manobras para deixar o túnel. O resgate foi acionado para retirar as pessoas, e os trabalhos continuavam no início da noite.

Prefeitura mobiliza equipes para retirar a água

A administração municipal informou que a interdição do túnel começou às 15h38. Segundo a prefeitura, as seis bombas do local funcionaram continuamente, mas a capacidade de drenagem não foi suficiente para escoar o volume de água registrado.

Um caminhão de bombeamento emergencial foi enviado para reforçar a drenagem. As equipes também iniciaram a limpeza dos trechos em que a água já havia baixado.

A inundação provocou transtornos no entorno do túnel e no terminal Bandeira, onde a água chegou à altura da cintura, segundo uma funcionária. Escadas rolantes foram desligadas, e trabalhadores usaram rodos para retirar a água de áreas internas.

Chuva afeta estações do metrô e provoca congestionamentos

Duas estações da Linha 1-Azul do metrô foram afetadas pelo temporal. Na estação Liberdade, houve acúmulo de água no mezanino. Na estação Paraíso, a água atingiu um dos acessos e afetou temporariamente equipamentos auxiliares, como catracas e monitores de informação.

De acordo com o Metrô, equipes de manutenção e limpeza foram mobilizadas, e os equipamentos afetados voltaram a funcionar. A circulação dos trens não foi prejudicada.

Nas ruas, o volume de água comprometeu o trânsito em diferentes regiões. A Companhia de Engenharia de Tráfego informou que a lentidão ultrapassou mil quilômetros na cidade por volta das 18h30.

Entre os pontos afetados estavam a praça 14 Bis, a avenida 9 de Julho e a avenida 23 de Maio. Também houve alagamentos na rua Almirante Mauriti, no Cambuci, na avenida Santo Amaro, na zona sul, e em bairros como Liberdade e Santa Cecília.

Quedas de árvores e transbordamentos em diferentes regiões

Na Bela Vista, uma árvore caiu sobre dois carros na rua Doutor Plínio Barreto. O motorista de um dos veículos, um táxi, estava sozinho e não se feriu. A via precisou ser interditada para a retirada da árvore.

Na zona sul, o lago do parque Ibirapuera transbordou. A concessionária Urbia informou que o pluviômetro do parque registrou 97 milímetros de chuva em menos de uma hora. Equipes foram mobilizadas para vistoriar as áreas, sem registro de ocorrências com visitantes até a divulgação do comunicado.

O córrego Sapateiro, na Vila Mariana, também transbordou. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a região acumulou 67,8 milímetros de chuva. Na Sé, o volume registrado chegou a 48,5 milímetros.

A Defesa Civil estadual informou que a Vila Clementino registrou 73 milímetros em 24 horas, o maior volume no estado naquele balanço. Na região central da capital, a prefeitura contabilizou 42 milímetros em 40 minutos, o equivalente a 37% da média mensal prevista para a cidade.

Ventos passam de 60 km/h e afetam aeroportos

O temporal também foi acompanhado por rajadas de vento. Às 16h03, o CGE registrou ventos de 61,1 km/h na região do aeroporto de Congonhas, na zona sul.

Segundo a concessionária Aena, responsável pelo aeroporto, 11 chegadas e 13 partidas foram canceladas. No Aeroporto Internacional de Guarulhos, quatro voos precisaram ser desviados para outros locais porque não conseguiram pousar.

Na terça-feira (13), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido um alerta de perigo para tempestades em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Paraná. A previsão indicava possibilidade de chuva de até 60 milímetros por hora, ventos de até 100 km/h e queda de granizo.

Meteorologista explica causas do temporal

Marcelo Seluchi, meteorologista e coordenador de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), explicou que a tempestade foi provocada pela combinação de fatores atmosféricos.

Uma área de baixa pressão formada entre Mato Grosso do Sul e o oeste paulista favoreceu a formação de tempestades com raios, granizo e rajadas de vento. Ao longo do dia, o sistema avançou para leste e atingiu a região metropolitana de São Paulo.

Segundo o meteorologista, a combinação de calor e umidade favoreceu o desenvolvimento das tempestades. A umidade acumulada na atmosfera e no solo após as chuvas recentes também contribuiu para a formação de novos episódios de precipitação.

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