Empresários criticam fim da escala 6×1 e alertam para demissões, inflação e custos

Abrasel, Fiesp e CNI contestam a aprovação da proposta pelo Senado e apontam possíveis impactos sobre bares, restaurantes, empregos e competitividade da economia brasileira.

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Entidades empresariais reagiram à aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado Federal, nesta quarta-feira (14), com críticas à mudança na jornada de trabalho. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestaram preocupação com possíveis efeitos sobre a atividade econômica, o emprego e os preços.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) foi aprovada em dois turnos por 75 votos a 1, entre os 81 senadores. Como o texto não sofreu alterações em relação à versão aprovada pela Câmara dos Deputados, em maio, a previsão é de promulgação na semana seguinte.

Abrasel prevê fechamento de bares e restaurantes

O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, classificou a aprovação como uma “tragédia socioeconômica anunciada”. Segundo ele, a entidade já havia alertado para os possíveis efeitos da mudança na organização das jornadas de trabalho.

Solmucci afirmou que os primeiros impactos poderão ser percebidos assim que a medida entrar em vigor, especialmente na prestação de serviços essenciais.

De acordo com o dirigente, parte dos bares e restaurantes poderá fechar um dia adicional por semana. Ele atribui essa possibilidade ao aumento dos custos operacionais e à dificuldade de encontrar mão de obra para manter os estabelecimentos em funcionamento.

Fiesp critica votação durante período eleitoral

O presidente da Fiesp, Paulo Skarf, afirmou que o tema exigia um debate aprofundado, fora do calendário eleitoral. Para ele, a discussão não deveria ocorrer sob o risco de a proposta se transformar em uma medida voltada ao período de campanha.

Skarf também argumentou que nenhum país teria estabelecido na Constituição um modelo rígido de escala de trabalho. Na avaliação do dirigente, decisões tomadas sem discussão suficiente podem gerar consequências econômicas para empresas e consumidores.

O presidente da Fiesp afirmou que os efeitos da mudança poderão ser sentidos por toda a sociedade, em razão dos custos associados à reorganização das jornadas.

CNI alerta para demissões e aumento de preços

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria classificou como preocupante a aprovação da PEC. A entidade prevê possíveis perdas econômicas, demissões, repasse de custos aos consumidores e aumento da inflação.

A CNI também afirmou que a mudança representa um retrocesso para o país, diante dos desafios relacionados à produtividade e à competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.

O presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu a possibilidade de o Congresso Nacional voltar a discutir o tema caso sejam constatados efeitos negativos sobre a economia.

Segundo Alban, a revisão da proposta poderia buscar alternativas para reduzir os impactos sobre a competitividade e a inflação.

Promulgação está prevista para a próxima semana

A aprovação no Senado ocorreu após a análise da proposta em dois turnos. Como o texto já havia passado pela Câmara dos Deputados em maio e não recebeu alterações na votação dos senadores, o próximo passo previsto é a promulgação da emenda constitucional.

As entidades empresariais defendem que os efeitos econômicos da mudança sejam considerados na implementação da nova jornada. Entre as preocupações apresentadas estão o custo de contratação, a manutenção dos serviços, o nível de emprego e o preço final de produtos e serviços.

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