André Marinho, o humorista e influencer que quer governar um estado com 17,2 milhões de habitantes

André Marinho, do Novo, estreia nas urnas após carreira marcada por imitações, confrontos políticos, demissões controversas e surfar na onda conservadora de 2018

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Com apenas 32 anos, sem nunca ter disputado uma eleição e ser conhecido principalmente pelas imitações de políticos, André Marinho, do Partido Novo, quer governar o terceiro estado mais populoso do país, com mais de 17 milhões de habitantes, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.

A candidatura ao Palácio Guanabara representa uma mudança de escala na trajetória do comunicador. Até agora, sua principal experiência política ocorreu diante de microfones, câmeras e nas redes sociais — ambientes nos quais colecionou seguidores, discussões e episódios controversos.

Filho do empresário e político Paulo Marinho e irmão da cantora Giulia Be, André ganhou projeção durante a campanha presidencial de 2018. Seus vídeos com imitações de Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Luiz Inácio Lula da Silva e outros personagens da política viralizaram.

Brigas, Bolsonaro e duas saídas da TV

Em 2019, Marinho entrou para a bancada do programa “Pânico”, da Jovem Pan. Além das imitações, passou a comentar política e a confrontar convidados, afastando-se gradualmente do papel exclusivo de humorista.

Um dos episódios mais graves ocorreu em maio de 2021, quando trocou socos e pontapés com o então comentarista Tomé Abduch durante uma transmissão ao vivo. A discussão começou após divergências políticas e referências ao pai de Marinho. A produção precisou intervir e o apresentador Emílio Surita pediu desculpas ao público.

Meses depois, Marinho protagonizou outro confronto de grande repercussão. Em entrevista com Jair Bolsonaro, perguntou se quem praticava “rachadinha” deveria ser preso. Irritado, o então presidente acusou Paulo Marinho de estar interessado na cadeira do senador Flávio Bolsonaro e decidiu encerrar a conversa.

O humorista reagiu: “É tigrão com humorista e tchutchuca com o STF”. O episódio ampliou os ataques de bolsonaristas contra Marinho e antecedeu sua saída do “Pânico”, em novembro de 2021. Ele afirmou posteriormente que havia deixado o programa porque estava “virando escada para bolsonaristas do baixo clero lacrarem”.

Marinho voltou à Jovem Pan em abril de 2024 para apresentar o “Morning Show”. Sua segunda saída, em dezembro de 2025, também teve versões diferentes. O comunicador e a emissora afirmaram que a decisão foi pessoal, motivada por projetos internacionais. Publicações especializadas, porém, noticiaram que ele foi dispensado em meio à baixa audiência da atração.

Pouco antes, outro episódio havia provocado repercussão. Em outubro de 2025, relatos publicados na imprensa apontaram que Marinho discutiu nos bastidores e quase chegou às vias de fato com um diretor de imagens da emissora. O desentendimento teria começado depois de um comentário feito pelo profissional no ponto eletrônico.

Primeira filiação partidária a cinco meses da eleição

Como influenciador, Marinho adotou um estilo baseado em provocações, ironias e ataques diretos. A postura ajudou a construir sua audiência digital, mas também alimentou críticas sobre seu temperamento e sua capacidade para administrar uma máquina estadual complexa.

Ele também apresenta programas de entrevistas na internet e publicou, em 2022, o livro “O Brasil (Não) É Uma Piada”. Em 2024, foi incluído na lista Forbes Under 30, na categoria Influenciadores e Gamers.

Marinho se filiou ao Novo em abril deste ano já com o plano de vir candidato nessa que foi a sua primeira militância partidária e foi oficializado como candidato ao lado da tenente-coronel da Polícia Militar Erigreyce Monteiro, escolhida como vice. Embora se apresente como uma novidade na política, já trabalhou por 17 meses em cargos comissionados da Prefeitura do Rio, primeiro na gestão de Eduardo Paes e, depois, na administração de Marcelo Crivella.

Patrimônio de R$ 407 mil e declarações histriônicas

Na declaração entregue à Justiça Eleitoral, Marinho informou patrimônio de R$ 407.503,55. O principal bem é um apartamento de R$ 300 mil, equivalente a quase 74% do total. A lista inclui ainda uma participação societária de R$ 100 mil e R$ 7.487,18 em uma caderneta de poupança, 

Na campanha, o candidato tenta transformar a linguagem incisiva das redes sociais em discurso eleitoral. Em sabatina, afirmou que o Rio precisa passar por um “exorcismo ético” e por uma “dedetização” na administração pública. “No Rio de Janeiro não falta dinheiro, sobra ladrão em todas as instâncias”, declarou.

Na segurança, lançou o plano “Sai fuzil, entra Brasil”, elaborado por um conselho de especialistas. Marinho defende retomada de territórios dominados por grupos criminosos, ampliação de vagas no sistema prisional, valorização dos policiais e uso de novas tecnologias.

Com discurso liberal e conservador, Marinho apoia o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também do Novo, no primeiro turno da eleição presidencial, mas afirma que a direita deverá se unir no segundo turno. O desafio será convencer os eleitores de que uma carreira construída entre o humor, as polêmicas digitais e os estúdios de televisão oferece preparo suficiente para governar um estado de 17,2 milhões de habitantes.

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