O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) comparou nesta segunda-feira (28) a repercussão da fake news envolvendo Nossa Senhora Aparecida à facada sofrida pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante a campanha presidencial de 2018. A declaração foi feita durante participação no podcast católico SantoFlow.
“Posso considerar uma espécie de facada essa fake news em mim”, afirmou Flávio.
O senador se referia à informação falsa que passou a circular nas redes sociais atribuindo a ele a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil caso seja eleito presidente.
Não existe atualmente no Congresso proposta de autoria ou com apoio declarado de Flávio Bolsonaro para retirar o título. A polêmica teve como pano de fundo um projeto apresentado por outro parlamentar há quase duas décadas e arquivado em 2008.
Durante a entrevista, Flávio afirmou que ficou surpreendido com a velocidade alcançada pelo conteúdo nas redes sociais.
Segundo o candidato, as publicações “não têm nem pé nem cabeça”. Ele disse ainda ter ficado surpreso com “como isso ganhou corpo e foi propagado com tanta velocidade”.
Flávio anuncia ação
Flávio Bolsonaro voltou a responsabilizar o PT pela disseminação da informação falsa e afirmou que pretende apresentar uma ação que classificou como “robusta” contra o partido.
De acordo com o candidato, o material apresentaria uma “teia” de perfis ligados à esquerda que, segundo ele, teriam participado da divulgação das publicações.
A atribuição de responsabilidade ao PT é uma acusação de Flávio Bolsonaro. No material apresentado até agora, não há comprovação pública de que o partido tenha coordenado a disseminação da fake news.
O candidato também havia acusado pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de colaborarem com o PT na propagação da informação. A entidade negou ter produzido ou disseminado desinformação.
Nesta segunda-feira, Flávio adotou um tom diferente em relação à CNBB e agradeceu uma nota divulgada pela entidade, afirmando que o posicionamento ajudava a esclarecer que a história sobre Nossa Senhora Aparecida era falsa.
Estado e religião
No SantoFlow, Flávio também abordou a relação entre religião e poder público. O candidato afirmou que o Estado não deve interferir na forma como cada cidadão exerce sua fé.
“Cada um tem que se conectar com Deus da forma que achar melhor, o Estado não tem que se meter nisso, na religião de ninguém”, declarou.
O senador defendeu ainda a manutenção do Estado laico e afirmou que todas as religiões devem ser respeitadas.
“Quem é o presidente, o Estado, para se meter na religião? Eu defendo o Estado laico com o respeito a todas as religiões”, disse.
Flávio também se posicionou a favor da manutenção da imunidade tributária para igrejas e templos religiosos. Segundo ele, o benefício deve ser preservado por causa do trabalho social desenvolvido pelas instituições religiosas.
Durante o programa, o candidato recebeu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida feita de crochê e afirmou que guardaria o presente “com muito carinho”.
Polêmica chegou ao STF
A repercussão da fake news ultrapassou a disputa nas redes sociais e abriu uma batalha judicial entre decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro André Mendonça, atuando no TSE, havia determinado a retirada de publicações que divulgavam a informação falsa sobre Flávio e Nossa Senhora Aparecida. A decisão atingiu conteúdos publicados por diferentes perfis nas redes sociais.
Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do STF, liberou publicações atingidas pela ordem, incluindo conteúdo do humorista Antonio Tabet. Dino defendeu que não havia grau de certeza de ilicitude suficiente para justificar determinadas restrições à liberdade de expressão.
A campanha de Flávio recorreu novamente ao Supremo e pediu ao ministro Luiz Fux que suspenda a decisão de Dino.
O episódio também provocou reação do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que enviou ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, manifestando preocupação com decisões individuaiso Supremo capazes, em sua avaliação, de interferir em matérias sob competência da Justiça Eleitoral.







Deixe um comentário