Onze ex-assessores do vereador do Rio e candidato a deputado federal Rick Azevedo (PSOL) apresentaram ao Ministério Público do Trabalho (MPT) uma representação que reúne uma série de acusações sobre a rotina do gabinete parlamentar. Os denunciantes pedem que sejam apurados supostos episódios de assédio moral, abuso de poder, perseguição funcional e possíveis irregularidades administrativas durante o mandato.
A denúncia ganha repercussão também pela trajetória política de Rick, fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e conhecido nacionalmente pela defesa do fim da escala 6×1. Na eleição de 2026, o vereador concorre pela primeira vez a uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro.
Ex-assessores relatam pressão e constrangimentos
Segundo a representação, o ambiente de trabalho teria sido marcado por intimidação, constrangimentos e insegurança funcional. Os denunciantes afirmam que pelo menos 14 assessores foram exonerados no primeiro ano do mandato e relatam cobranças para participação em atividades externas, inclusive com despesas de transporte e alimentação custeadas pelos próprios funcionários.
Um dos ex-assessores relata ter sofrido um infarto em setembro de 2025 e afirma que, ao retornar do afastamento, teria sido repreendido por integrantes da equipe. A representação solicita que as circunstâncias sejam investigadas, inclusive para verificar eventual relação entre o ambiente de trabalho descrito pelo servidor e os episódios relatados.
O documento também reúne o relato de uma ex-integrante trans do mandato, que contesta os motivos apresentados para seu desligamento. Segundo ela, a justificativa de que demorava a cumprir tarefas não teria levado em conta a dinâmica de trabalho da equipe nem sua condição de mulher trans.
Gabinete, VAT e atividades eleitorais
Outro eixo da representação envolve o possível uso da estrutura do gabinete em atividades que, segundo os denunciantes, não estariam diretamente relacionadas às atribuições institucionais do mandato. Entre elas aparecem produção de conteúdo para redes sociais, gerenciamento de páginas e ações vinculadas à promoção de Rick e do VAT.
Os ex-assessores afirmam ainda que integrantes da equipe teriam sido orientados a abordar pessoas nas ruas para obter números de telefone que poderiam ser utilizados posteriormente na campanha de Rick à Câmara dos Deputados. Também relatam pressão para curtir, comentar e compartilhar publicações do vereador e do VAT, inclusive fora do expediente.
A representação pede ainda investigação sobre eventual utilização de impressoras, papel, toner, computadores e outros recursos públicos em atividades de interesse particular ou eleitoral.
Nepotismo e presença de servidores também são questionados
Os denunciantes também pedem que o MPT apure possíveis casos de nepotismo e a atuação de servidores que, segundo eles, compareciam apenas esporadicamente ao gabinete. Um dos nomes citados é Erinalda Alves Félix, apontada como mãe de João Victor Alves Félix, chefe de gabinete do parlamentar.
Também é mencionado Marcos Vitor de Oliveira Gouvea, descrito pelos denunciantes como namorado de Rick e coordenador de campanha. De acordo com dados da prestação de contas eleitoral citados na denúncia, João Victor e Marcos Vitor receberam, cada um, R$ 35 mil da candidatura de Rick em 2026.
A representação menciona ainda supostos rateios entre funcionários para despesas com água, café e alimentação em eventos do gabinete. Segundo os ex-assessores, havia expectativa de contribuição dos integrantes da equipe independentemente da faixa salarial.
Rick Azevedo ainda não se manifestou
Rick Azevedo e sua assessoria foram procurados nesta segunda-feira (28), mas não haviam se manifestado sobre as acusações até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para que o vereador e os demais citados apresentem suas versões.







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