Peixão teria ordenado sequestro de ônibus com alunos na Linha Vermelha

Criminosos do TCP renderam motoristas e usaram dois coletivos como barricadas

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Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, teria ordenado o sequestro de dois ônibus que transportavam alunos da Escola Eleva, da Barra da Tijuca, na manhã desta segunda-feira (28), na Linha Vermelha.

As informações são de O Globo. Segundo a polícia, criminosos armados do Terceiro Comando Puro (TCP) renderam os motoristas e obrigaram os veículos a atravessar a pista, formando uma barricada na via.

A ação aconteceu na altura do Trevo das Missões, em Cordovil, na Zona Norte do Rio. Os estudantes seguiam para Vassouras, no Sul Fluminense, onde fariam uma excursão. Ninguém ficou ferido.

Os criminosos abordaram dois dos quatro ônibus que transportavam os alunos. Depois de render os motoristas, eles pegaram as chaves dos veículos e deixaram os coletivos atravessados na Linha Vermelha.

Segundo o Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), da Polícia Militar, a ação teria sido uma represália à operação realizada mais cedo no Complexo da Maré, na Zona Norte. A suspeita é que os criminosos tenham usado os ônibus para bloquear a via e tentar atrair policiais para fora da comunidade.

A Linha Vermelha já foi liberada e os estudantes seguiram viagem para Vassouras. A polícia realiza buscas para localizar os envolvidos no crime.

Quem é Peixão?

Alçado ao topo do Terceiro Comando Puro (TCP), Álvaro Malaquias Santa Rosa, mais conhecido como Peixão, é hoje uma das figuras mais temidas e procuradas do submundo do Rio de Janeiro. Mesmo sem jamais ter sido capturado, sua presença se impõe por meio da violência, da fé distorcida e do controle absoluto sobre áreas inteiras da Zona Norte da capital.

Há mais de uma década na mira das forças de segurança — Polícia Civil, Militar e Federal —, Peixão construiu um império criminal a partir de estratégias agressivas, expulsando o Comando Vermelho (CV) de territórios chave. Essa campanha resultou no que ficou conhecido como o Complexo de Israel, um conglomerado de favelas formado por Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas, onde símbolos como a Estrela de Davi e a bandeira de Israel passaram a decorar vielas e muros.

A ficha criminal de Peixão é extensa. Ele acumula cerca de 50 ocorrências e responde por aproximadamente 20 mandados de prisão — por crimes que incluem tráfico de drogas, homicídio, ocultação de cadáver, tortura e assaltos. Nos últimos meses, passou também a ser investigado por suspeitas de terrorismo.

O líder do TCP também é acusado de praticar atos de intolerância religiosa nas comunidades sob seu domínio. Relatos apontam que ele teria ordenado a destruição de terreiros, proibido moradores de usar roupas brancas e vetado celebrações juninas em igrejas católicas da região.

Peixão comanda um aparato bélico de alto calibre. Segundo investigações recentes da Polícia Federal, o grupo sob seu comando tem acesso a fuzis, explosivos, munições em larga escala e até sistemas anti-drone. Grande parte desse arsenal estaria sendo importado do exterior ilegalmente e entregue por empresas de transporte convencionais e pelos Correios.

Sobre a operação

Pelo menos 11 pessoas foram baleadas e uma morreu durante uma operação da Polícia Militar no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, na madrugada desta segunda-feira (28).

Entre os feridos há um policial e um adolescente de 15 anos. Um outro menino, de 12 anos, foi atingido por estilhaços de uma granada. Sete homens estão presos e, pelo menos, 41 escolas municipais precisaram ser fechadas por segurança.

A operação teve como alvo criminosos ligados ao TCP. De acordo com a PM, os agentes também apreenderam 12 fuzis, cinco pistolas, granadas e drogas durante a ação.

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