A 13 dias das eleições, Lula rejeita interferência externa no Brasil em discurso na ONU

Presidente afirma diante de líderes mundiais que vontade dos brasileiros deve prevalecer nas urnas e diz que país não aceitará ingerência estrangeira no processo eleitoral

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A 13 dias do primeiro turno das eleições brasileiras, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), para rejeitar interferências estrangeiras no processo eleitoral. Diante de líderes mundiais reunidos em Nova York, Lula colocou a defesa da soberania e da vontade dos eleitores entre os principais temas de seu discurso.

Sem citar diretamente governos ou autoridades estrangeiras nesse trecho da fala, Lula afirmou que o Brasil não aceitará que forças internas ou externas atentem contra a decisão dos eleitores. O presidente também defendeu a segurança do sistema eleitoral brasileiro e relacionou a proteção das eleições à preservação da democracia.

Recado sobre as eleições na ONU

A manifestação ocorre em meio à preocupação do governo com eventuais tentativas de influência estrangeira sobre o pleito. Lula já havia abordado o assunto na segunda-feira (21), em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, quando revelou ter tratado diretamente do tema com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“É muito importante que os Estados Unidos não se metam nas eleições do Brasil, como eu não me meto nas eleições de vocês”, afirmou Lula na entrevista. Segundo o presidente brasileiro, Trump teria sinalizado a interlocutores que não pretende se envolver na disputa eleitoral brasileira.

Lula sustentou que cabe exclusivamente aos brasileiros decidir os rumos do país. Na entrevista concedida na véspera do discurso na ONU, argumentou que eleições americanas devem ser decididas pelos americanos e que o mesmo princípio precisa ser respeitado no Brasil.

Abin alertou governo e TSE

A preocupação ganhou peso depois de a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhar, no fim de agosto, um relatório ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a CNN Brasil, o documento elevou a possibilidade de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras a um “nível de criticidade” e apontou uma tendência de aumento da pressão sobre o país.

O relatório representa uma avaliação da inteligência brasileira e não, por si só, comprovação de interferência efetiva no processo eleitoral. Lula, porém, já afirmou que foram identificados indícios de interferência por meio do uso de inteligência artificial, sem apresentar publicamente detalhes dos episódios mencionados.

Soberania entra no centro do discurso

Na ONU, a defesa das eleições apareceu dentro de uma mensagem mais ampla sobre soberania. Lula criticou intervenções externas, defendeu o multilateralismo e afirmou que o Brasil está aberto à cooperação internacional, mas rejeita ingerências sobre decisões que considera de competência exclusiva do país.

O posicionamento ocorre na reta final da campanha presidencial. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, tornando o pronunciamento desta terça-feira uma das últimas grandes aparições internacionais de Lula antes de os brasileiros irem às urnas.

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