Alerj faz minuto de silêncio em homenagem a Zuenir Ventura

Deputados lembraram no plenário a contribuição do integrante da Academia Brasileira de Letras para o jornalismo, a literatura e a compreensão do Rio

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A morte de Zuenir Ventura, aos 95 anos, repercutiu nesta terça-feira (22) no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Horas depois da notícia do falecimento do jornalista, escritor e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), deputados lembraram sua trajetória e a contribuição de suas obras para a compreensão de diferentes momentos da história política e social do país.

A pedido do deputado Luiz Paulo (PSD), a Casa fez um minuto de silêncio em homenagem ao escritor. Zuenir morreu pela manhã, em sua casa, no Rio de Janeiro. Autor de livros-reportagem como “1968 — O ano que não terminou” e “Cidade partida”, ele construiu uma carreira de mais de seis décadas no jornalismo e também teve atuação acadêmica.

Luiz Paulo lembra trajetória

Luiz Paulo prestou homenagens a Zuenir Ventura tanto no expediente inicial quanto no final da sessão. Ao comunicar a morte do escritor no plenário, o parlamentar destacou a trajetória profissional e lembrou obras que abordaram períodos de transformação política e problemas sociais do Rio de Janeiro.

O deputado recordou ainda os mais de 60 anos de atuação de Ventura na imprensa e citou os prêmios Esso e Vladimir Herzog recebidos pelo jornalista. Os dois reconhecimentos foram concedidos em 1989 pela cobertura sobre o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, no Acre.

“É autor de muitas obras referenciais, como 1968: O ano que não terminou, ano que vivi intensamente dentro do movimento estudantil, tendo Zuenir retratado com muita intensidade essa época”, declarou.

Cidade partida é destacada no plenário

O parlamentar também ressaltou a importância de “Cidade partida”, publicado em 1994. No livro-reportagem, Zuenir abordou a violência urbana e as desigualdades sociais do Rio a partir de uma investigação sobre diferentes territórios da cidade. A obra recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Reportagem.

Para Luiz Paulo, os dois livros ajudam a compreender questões políticas e sociais que atravessaram diferentes períodos da história recente. “1968: O ano que não terminou e Cidade partida são livros que envolvem sociologia, política, retratos instantâneos da cidade e até mesmo perspectivas de futuro”, afirmou.

A deputada Renata Souza (PSOL) também lamentou a morte e destacou a influência de “Cidade partida” em sua leitura sobre as favelas cariocas.

“Sou cria da favela da Maré e li as obras do Zuenir Ventura, em especial o Cidade partida, que traz uma outra lógica nova sobre a realidade das comunidades do Rio de Janeiro”, disse. Zuenir Ventura integrava a Academia Brasileira de Letras desde 2015. Ele ocupava a cadeira 32, para a qual foi eleito em 2014, sucedendo o escritor Ariano Suassuna.

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