Lula leva defesa do Pix e das riquezas brasileiras à ONU e promete freio nas bets

Presidente rejeita pressões externas sobre sistema de pagamentos e minerais estratégicos e afirma que Brasil não vai tolerar modelo de negócios das apostas on-line

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), em Nova York, para fazer uma defesa da soberania brasileira sobre áreas estratégicas da economia. Diante de líderes mundiais, Lula colocou no centro do discurso o Pix e as riquezas naturais do país, além de defender maior controle sobre as plataformas de apostas on-line, as chamadas bets.

Em seu décimo discurso na Assembleia Geral, o presidente também criticou a perda de capacidade da ONU para responder aos conflitos internacionais e defendeu o fortalecimento do multilateralismo e da diplomacia. Segundo a própria organização, o debate geral da 81ª sessão reúne representantes dos 193 Estados-membros entre 22 e 28 de setembro.

Pix entra no discurso sobre soberania

Ao tratar das pressões internacionais sobre interesses brasileiros, Lula apresentou o Pix como um patrimônio estratégico e associou o sistema de pagamentos à inclusão financeira da população.

“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”, declarou.

A defesa da soberania também alcançou os recursos minerais. Lula afirmou que o acesso às riquezas naturais brasileiras deverá estar associado à geração de valor dentro do país, transferência de tecnologia e atendimento a setores considerados estratégicos.

“O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais”, afirmou.

Lula mira bets e big techs

Outro alvo do discurso foram as empresas de tecnologia e o mercado de apostas on-line. Lula defendeu a regulamentação das big techs e afirmou que o desenvolvimento da inteligência artificial não pode ocorrer sem regras, transparência e mecanismos de proteção à sociedade.

Ao abordar especificamente as bets, o presidente endureceu o discurso. “A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro. Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares. O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio”, declarou.

Lula vem defendendo medidas mais restritivas contra as apostas on-line e já mencionou publicamente a possibilidade de endurecer as regras aplicadas ao setor. No pronunciamento da ONU, o tema foi inserido em uma discussão mais ampla sobre os efeitos sociais das plataformas digitais e a responsabilidade das empresas sobre seus produtos.

Clima, Amazônia e cooperação

O presidente também tratou da preservação ambiental, destacou a redução do desmatamento da Amazônia e defendeu a transição energética. Lula voltou a sustentar que o desenvolvimento econômico pode ser combinado com a conservação das florestas e a exploração dos recursos nacionais. Uma checagem publicada nesta terça confirmou que a taxa anual de desmatamento amazônico citada por Lula é a menor em 11 anos.

No cenário internacional, Lula defendeu soluções diplomáticas para conflitos e criticou o enfraquecimento das instituições multilaterais. “A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política”, afirmou.

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