UE e Uefa criticam Fifa por revogar cartão vermelho de jogador dos EUA após intervenção de Trump

Decisão que libera atacante dos Estados Unidos para as oitavas de final da Copa do Mundo provoca críticas sobre interferência política, integridade das regras e ameaça de contestação por parte da Bélgica

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A decisão da Fifa de anular o cartão vermelho aplicado ao atacante Folarin Balogun, da seleção dos Estados Unidos, provocou forte reação internacional e abriu um novo capítulo de polêmica na Copa do Mundo. Nesta segunda-feira (6), a União Europeia e a Uefa criticaram duramente a entidade máxima do futebol, questionando tanto os fundamentos da decisão quanto os impactos para a credibilidade da competição.

A medida permite que Balogun esteja à disposição da seleção dos EUA para o confronto contra a Bélgica, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo. A partida está marcada para esta segunda-feira, às 21h.

A controvérsia ganhou ainda mais repercussão após surgirem relatos de uma suposta atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, junto ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, antes da revisão da punição.

União Europeia critica possível influência política

O comissário europeu para assuntos de esporte, Glenn Micallef, manifestou preocupação com a possibilidade de interferência política em decisões esportivas.

Segundo ele, questões disciplinares devem permanecer sob responsabilidade exclusiva das entidades esportivas.

“Influenciar decisões esportivas prejudicaria a autonomia do esporte. Nosso foco deveria estar nos verdadeiros desafios de governança que o esporte enfrenta, incluindo a instrumentalização do esporte para fins políticos”.

A declaração ocorre após informações de que Trump teria procurado o presidente da Fifa para discutir a expulsão do atacante estadunidense.

Uefa fala em risco para a integridade do futebol

Também nesta segunda-feira, a Uefa divulgou uma nota oficial criticando a decisão da Fifa e afirmando que o episódio compromete princípios fundamentais do esporte.

Para a entidade europeia, a revogação da punição representa um precedente preocupante para o futebol internacional.

“Manifestamos nossa incredulidade diante de uma decisão tão inédita, incompreensível e injustificável. Quando a certeza das regras deixa de ser garantida por seus responsáveis, a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é prejudicada”.

A Uefa ainda afirmou que a Fifa “cruzou uma linha vermelha” ao modificar uma punição que, segundo a entidade, deveria seguir os critérios estabelecidos pelo regulamento disciplinar da competição.

Como ocorreu a expulsão

Balogun foi expulso durante a partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina, disputada na última quarta-feira (1º).

Após revisão das imagens pelo árbitro de vídeo (VAR), o árbitro brasileiro Raphael Claus aplicou cartão vermelho direto ao atacante aos 18 minutos do segundo tempo.

A expulsão ocorreu depois de um pisão no tornozelo do defensor Muharemovic. Com um jogador a menos, os Estados Unidos disputaram aproximadamente meia hora da partida em inferioridade numérica.

Posteriormente, a punição foi revista e anulada, permitindo que o atacante volte a atuar ainda nesta fase da competição.

Relatos apontam contato de Trump com a Fifa

Segundo uma autoridade dos EUA, Donald Trump entrou em contato diretamente com Gianni Infantino para buscar esclarecimentos sobre a expulsão de Balogun.

De acordo com a fonte, que falou sob condição de anonimato à TV Globo, o governo dos Estados Unidos também apresentou novas informações durante o processo de recurso.

Ainda conforme o relato, “forneceu evidências adicionais que foram utilizadas no processo de apelação”, mas ressaltou que o processo de apelação é conduzido por um conselho independente.

Após a reversão da punição, Trump comemorou publicamente a decisão nas redes sociais.

“Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!”, publicou o presidente (veja postagem abaixo).

Até o momento, a Fifa não informou detalhes públicos sobre os fundamentos jurídicos que levaram à anulação da expulsão.

Donald Trump parabeniza Fifa por reverter cartão vermelho aplicado em atacante dos EUA durante a Copa de 2026. — Foto: Reprodução

Pochettino comemora decisão

O técnico da seleção dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, também defendeu a revisão da punição durante entrevista coletiva realizada no domingo (5).

Para o treinador argentino, a expulsão aplicada durante a partida contra a Bósnia e Herzegovina foi equivocada desde o início.

“Fomos punidos o suficiente contra a Bósnia-Herzegovina ao jogar com um a menos por 30 minutos, em uma decisão completamente injusta. E não só porque sou o técnico da seleção dos Estados Unidos e preciso defender meu lado. É porque acredito que 99,9% das pessoas concordam que aquele cartão vermelho foi injusto”, disse o treinador argentino.

Com a decisão da Fifa, Balogun fica novamente disponível para integrar a equipe nas oitavas de final.

Federação Belga questiona legalidade da decisão

A Federação Belga de Futebol também reagiu à anulação da punição e afirmou estar surpresa com a possibilidade de o atacante disputar a partida.

Em comunicado oficial, a entidade sustenta que o regulamento disciplinar da Fifa prevê suspensão automática após uma expulsão.

Segundo os dirigentes belgas, o “Artigo 66.4 do mesmo Código Disciplinar da Fifa prevê claramente que um cartão vermelho (expulsão) resulta automaticamente em suspensão para a próxima partida da equipe, como tem sido o caso de todos os cartões vermelhos anteriores aplicados durante esta Copa”.

A federação acrescenta que a decisão também contraria o Artigo 10.5 do Regulamento da Copa do Mundo de 2026, norma que, segundo a entidade, foi reafirmada pela própria Fifa em circulares e reuniões realizadas antes das partidas do torneio.

Diante da situação, a Bélgica informou que avalia todas as medidas possíveis para contestar a decisão.

Segundo o comunicado, a federação pretende agir para preservar os princípios de “fair play” e garantir os direitos esportivos das seleções participantes da competição.

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