Datafolha: brasileiros culpam mais os jogadores do que Ancelotti por queda na Copa

Pesquisa mostra que atletas são apontados como principais responsáveis pela eliminação da seleção nas oitavas de final, enquanto maioria apoia a permanência de Carlo Ancelotti até 2030.

A eliminação da seleção brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 deixou uma forte frustração entre os torcedores, mas a maior parte da população atribui a responsabilidade aos jogadores, e não ao técnico Carlo Ancelotti. É o que aponta pesquisa Datafolha, que também mostra que a maioria dos brasileiros ainda apoia a continuidade do treinador italiano no comando da equipe até o Mundial de 2030.

Levantamento realizado nos dias 22 e 23 de julho ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Segundo a pesquisa, 47% dos entrevistados apontaram os jogadores como os principais responsáveis pela eliminação diante da Noruega, resultado que marcou a primeira queda do Brasil nas oitavas de final de uma Copa do Mundo desde 1990. Outros 22% atribuíram a responsabilidade à comissão técnica, enquanto 18% responsabilizaram os dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Campanha ficou abaixo das expectativas

O desempenho da seleção também foi alvo de críticas. Para 36% dos entrevistados, a campanha ficou muito abaixo do esperado. Outros 24% avaliaram que o rendimento foi um pouco inferior às expectativas.

Em sentido contrário, apenas 5% consideraram que a seleção teve desempenho um pouco acima do esperado, enquanto 3% classificaram a participação como muito acima das expectativas.

A eliminação precoce encerrou um ciclo marcado por instabilidade dentro da CBF. Antes da chegada de Carlo Ancelotti, a seleção passou por sucessivas mudanças no comando técnico, com Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior, todos sem conseguir resultados consistentes.

Além da troca de treinadores, a entidade viveu mudanças na presidência. Ednaldo Rodrigues deixou o cargo após decisão judicial, e Samir Xaud assumiu a CBF em maio de 2025. Logo após a eleição, confirmou a contratação de Ancelotti, que já havia acertado sua chegada anteriormente.

Avaliação de Ancelotti piorou, mas maioria apoia permanência

Embora a avaliação do treinador tenha piorado após a Copa, a rejeição ainda é inferior à registrada por outros técnicos da seleção em eliminações recentes.

Hoje, 32% classificam o trabalho de Ancelotti como ruim ou péssimo. Em abril, esse índice era de 12%. Já a avaliação positiva caiu de 28% para 22%.

Mesmo com o desgaste provocado pela eliminação, a maioria dos brasileiros defende que o italiano permaneça no comando da seleção. Segundo o Datafolha, 51% aprovam sua continuidade até a Copa do Mundo de 2030, enquanto 37% são contrários.

Após a derrota, Ancelotti afirmou que pretende seguir trabalhando para reconstruir a equipe.

“O que vamos fazer é continuar trabalhando, tentar melhorar e buscar novas ideias. O futebol é assim. Às vezes, você tem que administrar a tristeza de uma derrota. Vamos administrar esta derrota com um novo impulso ao trabalho”, declarou o treinador.

Renovação será prioridade para o próximo ciclo

Depois da Copa, Carlo Ancelotti se reuniu com integrantes da comissão técnica e dirigentes da CBF no Rio de Janeiro para discutir o planejamento do próximo ciclo.

O treinador confirmou que a seleção passará por uma ampla renovação do elenco e indicou o encerramento da trajetória de Neymar com a camisa da equipe nacional. Agora, o objetivo é reconstruir o grupo ao longo dos próximos quatro anos e buscar melhores resultados na Copa do Mundo de 2030.

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