A crise envolvendo a proposta de reorganização dos ativos comerciais da Fifa ganhou novos contornos nesta sexta-feira (31), após o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmar que Gianni Infantino é “a pessoa errada para liderar” a entidade máxima do futebol mundial. A declaração aumenta a pressão sobre o dirigente em meio às críticas ao projeto que prevê a criação de uma empresa para concentrar os direitos comerciais das principais competições organizadas pela Fifa e abrir espaço para investidores privados.
A iniciativa tem provocado reações em diferentes partes do futebol internacional, com ameaças de boicote, críticas à falta de transparência e questionamentos sobre a necessidade de recorrer ao mercado financeiro, apesar da sólida situação econômica da entidade.
Proposta gera reação internacional
O centro da polêmica é a criação da chamada Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova estrutura responsável por administrar ativos comerciais considerados estratégicos da entidade. Entre eles estariam os direitos de transmissão, contratos de patrocínio, venda de ingressos e licenciamento relacionados à Copa do Mundo masculina, à Copa do Mundo feminina e ao Mundial de Clubes.
Embora a Fifa mantenha o controle da empresa, o projeto prevê a possibilidade de vender até 20% da participação para investidores privados.
A operação atribuiria à nova companhia um valor estimado em US$ 20 bilhões, permitindo à Fifa captar aproximadamente US$ 4,2 bilhões. Segundo a entidade, esses recursos seriam utilizados para ampliar os repasses destinados às 211 federações filiadas, elevando os valores previstos entre 2027 e 2030 de US$ 8 milhões para até US$ 20 milhões por associação.
A proposta, entretanto, encontrou forte resistência entre dirigentes e confederações continentais.
Burnham endurece discurso contra Infantino
Durante visita à cidade inglesa de Sheffield, Andy Burnham fez a crítica mais contundente até agora contra o presidente da Fifa.
“Foi uma proposta ultrajante. O simples fato de ter sido sequer considerada demonstra, na minha opinião, que [Infantino] é a pessoa errada para liderar a organização”, disse Burnham durante visita à cidade inglesa de Sheffield.
A declaração reforça o ambiente de desgaste enfrentado por Infantino, que passou a lidar com críticas não apenas de dirigentes esportivos, mas também de autoridades políticas.
Confederações ameaçam boicote e aliado deixa cargo
A Uefa foi a principal voz contrária ao projeto ao aprovar, por unanimidade, a possibilidade de boicotar futuras competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo, caso a proposta avance.
A Concacaf também rejeitou a iniciativa, enquanto a Confederação Asiática de Futebol (AFC) demonstrou preocupação com os possíveis impactos da medida. Já a Confederação Africana de Futebol (CAF) adotou uma postura mais cautelosa, orientando suas federações a analisarem detalhadamente o projeto antes de definir uma posição.
Em comunicado, Cordeiro afirmou que não participou da elaboração da proposta e fez duras críticas ao plano.
“Quero deixar claro: não tive qualquer participação nesta proposta e me oponho categoricamente a ela. É um mau negócio para as associações-membro da Fifa, para o futebol e para o futuro do esporte no longo prazo”, escreveu Cordeiro.
Temor sobre influência de investidores
Entre os principais argumentos apresentados pelos críticos está o receio de que a entrada de investidores privados aumente a influência do mercado sobre decisões envolvendo a Copa do Mundo e outras competições de maior valor comercial.
Também são alvo de questionamentos a falta de transparência na elaboração do projeto e a justificativa financeira apresentada pela Fifa. Dirigentes lembram que a entidade possui reservas bilionárias e registrou receitas recordes no ciclo financeiro mais recente, o que, segundo eles, reduziria a necessidade de captar recursos externos.
Diante da crescente pressão, a Fifa informou que a proposta permanece em fase de consultas e ressaltou que nenhuma decisão definitiva foi tomada. Em nota, a entidade afirmou reconhecer as preocupações manifestadas pelas confederações e garantiu que o processo será “aberto e democrático”, com a decisão final sendo submetida às federações nacionais após a apresentação de todas as informações sobre o projeto.







Deixe um comentário