O presidente da China, Xi Jinping, chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira (23) para uma visita de Estado de três dias e foi recebido pessoalmente pelo presidente Donald Trump na Base Conjunta Andrews, nos arredores de Washington. A presença de Trump na pista, com tapete vermelho e cerimônia de chegada, representa um gesto pouco comum no protocolo diplomático americano.
A chegada ocorreu no início de uma agenda que terá como ponto central o encontro entre os dois presidentes na Casa Branca. Comércio, tarifas, terras raras, tecnologia, inteligência artificial, Taiwan e questões relacionadas ao Oriente Médio estão entre os temas previstos para as conversas.
No mesmo dia, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que Washington e Pequim concordaram em estender por dois meses a trégua comercial entre os dois países. Segundo ele, o novo prazo vai até 10 de janeiro de 2027.
Recepção de Trump a Xi
Trump recebeu Xi ao lado da primeira-dama Melania Trump. A primeira-dama chinesa, Peng Liyuan, também acompanhou o presidente durante a chegada à Base Conjunta Andrews.
Nos Estados Unidos, é mais comum que autoridades diplomáticas e militares recebam líderes estrangeiros no aeroporto, enquanto a recepção presidencial ocorre posteriormente na Casa Branca. Por isso, a decisão de Trump de comparecer pessoalmente à base militar foi considerada um gesto diplomático de destaque.
A cerimônia oficial de chegada de Xi à Casa Branca está prevista para esta quinta-feira (24). O evento terá participação de militares de diferentes ramos das Forças Armadas americanas e será seguido pelas reuniões entre os dois presidentes.
Agenda da visita de Estado
A programação de Xi nos Estados Unidos segue até sexta-feira (25). Depois da cerimônia oficial na Casa Branca, Trump e o presidente chinês participarão de reuniões bilaterais para discutir questões econômicas, comerciais e estratégicas.
Entre os assuntos está a relação comercial entre as duas maiores economias do mundo. Também devem entrar nas conversas o fornecimento de terras raras e outros minerais estratégicos, além das restrições americanas sobre tecnologias avançadas.
A inteligência artificial ganhou espaço nas negociações preparatórias para a cúpula. Representantes dos dois países discutiram a criação de mecanismos de comunicação sobre incidentes envolvendo IA e possíveis riscos à segurança nacional.
Trégua comercial é prorrogada
A extensão da trégua foi anunciada por Bessent depois de reuniões com o vice-premiê chinês He Lifeng. O secretário disse que os dois governos continuam trabalhando na possibilidade de um acordo comercial mais amplo, mas afirmou não saber se ele será concluído até o novo prazo.
A trégua mantém temporariamente algumas medidas adotadas durante a disputa comercial entre Washington e Pequim, incluindo a suspensão de determinadas tarifas e restrições relacionadas a terras raras. A extensão até 10 de janeiro de 2027 prolonga o período de negociação entre os dois países.
Bessent também afirmou que existem compromissos chineses que ainda precisam avançar. Segundo o secretário, Pequim aumentou as compras de soja americana, mas estaria atrasada em outras obrigações relacionadas ao setor agrícola.
Comércio, tecnologia e inteligência artificial
As negociações entre os dois governos também incluem a possibilidade de reduzir tarifas sobre determinados produtos. Os Estados Unidos buscam ampliar as vendas de produtos agrícolas e energéticos para a China, enquanto Pequim negocia condições para seus produtos e insumos destinados à indústria americana.
Antes da chegada de Xi, Bessent e He Lifeng participaram de reuniões em Nova York para preparar a cúpula presidencial. As conversas trataram de comércio, investimentos, minerais estratégicos e inteligência artificial.
A IA se tornou um dos pontos de aproximação e, ao mesmo tempo, de preocupação entre os dois governos. As discussões incluem a possibilidade de estabelecer um canal bilateral para informar incidentes considerados relevantes e tratar de riscos envolvendo o uso da tecnologia.
Encontro terá jantar na Casa Branca
Na noite desta quinta-feira, Trump e Melania receberão Xi e Peng para um jantar de Estado na Casa Branca. Executivos de grandes empresas americanas de tecnologia estão entre os convidados previstos para o evento, incluindo representantes de empresas como Apple, Microsoft, OpenAI e Nvidia.
Na sexta-feira, último dia da visita, Trump e Melania deverão receber Xi e Peng para um chá na Casa Branca. Depois, os casais visitarão os Arquivos Nacionais, encerrando a programação da visita de Estado.
Taiwan e Oriente Médio também entram na pauta
Além da agenda econômica, Trump e Xi deverão discutir questões de segurança internacional. A relação entre Pequim e Taiwan é um dos temas mais sensíveis entre os dois governos e deve fazer parte das conversas.
O Oriente Médio também aparece na agenda, principalmente pela influência da China nos mercados de energia e pela relação de Pequim com países da região. A guerra envolvendo o Irã acrescenta outro ponto de interesse às negociações.
A visita ocorre poucos meses depois do encontro entre Trump e Xi em Pequim. Os dois governos buscam manter canais de diálogo enquanto continuam as divergências em comércio, tecnologia, segurança e política externa. A programação em Washington combina negociações econômicas com uma série de cerimônias destinadas a marcar o caráter oficial da visita.







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