O presidente da Argentina, Javier Milei, usou seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta quarta-feira (23), para criticar a atuação da entidade na disputa pelas ilhas Malvinas com o Reino Unido. Ao deixar a tribuna, o argentino repetiu uma de suas marcas de discurso e afirmou: “Viva a liberdade, caralho!”.
Milei disse que a ONU se tornou uma instituição incapaz de fazer valer suas próprias decisões. Segundo ele, “sempre é preferível dizer uma verdade desconfortável do que uma mentira confortável”. Em seguida, afirmou: “Se transformou em uma organização inútil que só serve para alimentar uma casta de parasitas arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados”.
Presidente argentino cobra ação sobre Malvinas
Ao abordar a disputa pelas Malvinas, chamadas de Falklands pelo Reino Unido, Milei questionou a efetividade das resoluções da ONU. O arquipélago é administrado pelos britânicos, enquanto a Argentina reivindica a soberania sobre as ilhas.
“De que serve uma resolução se, durante décadas, a outra parte pode agir de forma oposta, e essa resolução permanece intacta nos arquivos, impotente diante da realidade?”, perguntou. Na sequência, acrescentou: “Uma instituição que não consegue fazer com que a sua palavra tenha peso na realidade perde o que mais importa: a sua autoridade.”
O presidente argentino afirmou que seu governo adotou medidas contra a exploração de recursos na região disputada. “Em resposta à exploração não autorizada de nossos recursos na área em disputa, tomamos medidas”, disse. Segundo Milei, a Argentina fez denúncias formais, recorreu aos meios legais, aplicou sanções a empresas e fornecedores e apresentou ao Congresso um projeto para proteger a soberania nacional.
Milei também convidou o Reino Unido a retomar as negociações sobre a soberania das ilhas e defendeu investimentos na jazida de petróleo e gás de Vaca Muerta. “Mas este convite tem um limite: não seremos indiferentes em relação àqueles que exploram recursos sob ocupação estrangeira ilegal. A posição da Argentina está tomada.”
Críticas à OMS e defesa da inteligência artificial
No discurso, Milei também criticou a Organização Mundial da Saúde (OMS), da qual a Argentina se retirou em março deste ano. Ao falar sobre a pandemia de Covid-19, afirmou: “Durante a pandemia, organizações dependentes dessa instituição priorizaram evidências científicas e a soberania nacional em detrimento da segurança nacional, promovendo lockdowns forçados em todo o mundo que destruíram empregos”.
Ele acrescentou: “Onde alguns apontam um erro de política de saúde pública, nós vemos um experimento global de controle social disfarçado de ciência.”
Na parte final da fala, Milei defendeu uma política de liberdade regulatória para a inteligência artificial e prometeu benefícios fiscais para empresas do setor. “Em relação à inteligência artificial, a Argentina estará na vanguarda da liberdade. (…) Queremos ser o lugar mais competitivo do mundo para desenvolvê-la”, afirmou.
O presidente encerrou o discurso com um convite a investidores, cientistas e empreendedores: “Aos homens e mulheres livres do mundo, aos cientistas, aos empreendedores, aos criadores, àqueles que sonharam com uma terra onde recomeçar, eu digo: olhem para o sul”. E completou: “Vão encontrar uma terra imensa, de campos férteis, de petróleo, de minerais e de talento humano.”







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