O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se em Nova York com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em um encontro que marca uma nova etapa na relação entre Washington e Caracas. Segundo informações da AFP, a conversa ocorreu na terça-feira (22), à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, e foi a primeira presencial entre os dois desde que Delcy assumiu o comando venezuelano.
A venezuelana chegou à Presidência após o sequestro de Nicolás Maduro e de sua mulher por forças estadunidenses durante uma operação militar realizada em janeiro. Desde então, Estados Unidos e Venezuela vêm ampliando as negociações em áreas como petróleo, mineração, dívida externa e recuperação econômica.
Delcy classificou a reunião com Trump como “histórica”. Ela também divulgou uma fotografia ao lado do republicano, na qual os dois aparecem sorrindo.
Segundo a presidente venezuelana, a conversa tratou “sobre o fortalecimento da relação bilateral” e “o avanço de uma agenda de cooperação”.
“Venezuela e Estados Unidos compartilham uma relação histórica que, nesta nova etapa, somos chamados a direcionar por meio do diálogo”, acrescentou, sem revelar mais detalhes.
Petróleo ganha espaço na relação
O encontro ocorreu durante uma recepção promovida por Trump para líderes que participam da Assembleia-Geral da ONU e integrantes do primeiro escalão do governo dos EUA acompanharam as conversas.
A aproximação ocorre em meio ao interesse dos Estados Unidos no setor energético venezuelano. A delegação comandada por Delcy foi a Nova York também com a missão de discutir investimentos, energia e a reestruturação da dívida do país. Representantes venezuelanos mantiveram reuniões com dirigentes do Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Desde o sequestro de Maduro, a administração Trump ampliou as negociações para exploração dos recursos naturais venezuelanos. O movimento ganhou ainda mais relevância diante das pressões sobre o mercado internacional de energia.
Em discurso na ONU nesta terça-feira, Trump voltou a destacar a importância estratégica das reservas venezuelanas e apresentou o sequestro de Maduro como uma das ações de política externa de seu governo.
“O espólio pertence aos vencedores”, afirmou o presidente dos EUA na terça-feira, na tribuna da ONU. “Se somarmos (as reservas de) Estados Unidos e Venezuela, temos mais de 60% do petróleo do mundo”, celebrou.
Eleições seguem como ponto de tensão
A retomada das relações econômicas ocorre enquanto permanece indefinido o calendário de uma transição eleitoral na Venezuela. O governo dos EUA tem defendido reformas políticas e institucionais no país, mas Trump afirmou recentemente que a Venezuela ainda “não está pronta” para realizar as eleições reivindicadas pela oposição.
O futuro político venezuelano também entrou na agenda internacional de Delcy em Nova York. Na segunda-feira, ela se reuniu com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Segundo informações divulgadas pela ONU, a conversa abordou reformas econômicas, direitos humanos, diálogo político e o caminho para a democracia.
A presença de Delcy em Nova York representa ainda a primeira viagem dela aos Estados Unidos desde que assumiu a Presidência interina e marca a volta de um chefe do governo venezuelano à Assembleia-Geral da ONU depois de anos de afastamento.
Caracas busca investimentos internacionais
Além da dimensão política, a passagem da delegação venezuelana pelos Estados Unidos tem forte componente econômico. Representantes de Caracas discutem formas de atrair investimentos para petróleo, mineração e outras áreas estratégicas, além de alternativas para reorganizar a dívida venezuelana, estimada entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões.







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