Trump ameaça usar força militar na América Latina durante discurso na ONU

Presidente dos EUA afirmou que poderá empregar o poderio militar americano para proteger interesses do país no Hemisfério Ocidental

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22), durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que seu governo está disposto a recorrer ao poder militar para proteger os interesses americanos no Hemisfério Ocidental. A declaração ocorreu em uma fala marcada por referências aos cartéis de drogas, à Venezuela, a Cuba e à guerra com o Irã.

Trump comparou os cartéis que atuam nas Américas ao Estado Islâmico e afirmou que os Estados Unidos não aceitarão que ameaças ao país ganhem espaço na região. O presidente não mencionou o Brasil nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesse trecho do discurso.

“Os EUA não permitirão mais que ameaças ao país ganhem espaço em qualquer parte do Hemisfério Ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para proteger os interesses nacionais vitais dos EUA”, declarou Trump.

Cartéis entram na mira de Trump

Ao tratar do narcotráfico, o republicano classificou os cartéis como o “Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental”, em referência ao grupo terrorista também conhecido pela sigla Isis.

Trump também voltou a defender a política de seu governo de enquadrar cartéis como organizações terroristas. A fala reforçou o tom adotado por Washington para justificar medidas militares e de segurança contra organizações envolvidas no tráfico internacional de drogas.

Ao citar a Venezuela, Trump mencionou o poderio militar que o país possuía e sustentou que os equipamentos disponíveis não foram suficientes para impedir as ações dos Estados Unidos.

O discurso de Trump ocorreu logo depois da participação de Lula. Pela tradição da Assembleia Geral, o Brasil abre o Debate Geral e os Estados Unidos, como país anfitrião da sede da ONU, aparecem na sequência.

Irã também é alvo de ameaça

Trump reservou outro dos momentos mais duros do discurso ao Irã. Em meio à guerra iniciada no fim de fevereiro, o presidente afirmou que terá de tomar uma decisão entre alcançar um acordo com Teerã ou intensificar a ação contra o país.

O republicano chegou a empregar o termo “aniquilar” ao falar sobre uma das alternativas que considera diante do impasse com o governo iraniano.

Apesar da ameaça, Trump afirmou posteriormente acreditar que Washington e Teerã poderão chegar a um entendimento depois das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para o início de novembro.

Segundo ele, o governo iraniano estaria aguardando o resultado eleitoral antes de avançar nas negociações.

Cuba e inteligência artificial

Cuba também foi alvo de críticas. Trump acusou o governo cubano de manter, durante décadas, relações com movimentos de esquerda e organizações que classificou como radicais dentro dos Estados Unidos.

A delegação cubana deixou a Assembleia durante a fala do presidente americano. Posteriormente, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, reagiu e acusou Trump de divulgar informações falsas. Rodríguez afirmou que os Estados Unidos não aceitariam o direito de Cuba de atuar como um país soberano e independente.

Trump também dedicou parte do pronunciamento à inteligência artificial. O presidente afirmou que seu governo não pretende adotar decisões que, na avaliação da administração americana, possam frear o desenvolvimento da tecnologia.

O republicano disse ainda que sua gestão pretende utilizar o termo “superinteligência” para se referir à inteligência artificial e criticou avaliações que enfatizam possíveis riscos provocados pelo avanço dessa tecnologia.

A passagem de Trump por Nova York ocorre em meio a uma série de encontros diplomáticos paralelos à Assembleia Geral. Os discursos do Debate Geral da ONU seguem até a próxima segunda-feira (28).

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo