O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nesta terça-feira (22), a partir das 10h, na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Como ocorre tradicionalmente, o Brasil será o primeiro país a fazer seu pronunciamento, seguido pelos Estados Unidos, país que abriga a sede do encontro.
A tradição brasileira de abrir os discursos, segundo informações do portal G1, porém, não existe desde a criação da ONU. O país passou a ocupar oficialmente essa posição a partir da 10ª sessão da Assembleia Geral, em 1955.
Uma tradição que começou em 1955
Existem diferentes explicações para o fato de o Brasil ocupar a primeira posição na lista de oradores. Uma das versões afirma que o país teria recebido o posto como uma espécie de compensação por não integrar o Conselho de Segurança da ONU.
Outra hipótese relaciona a escolha ao contexto da Guerra Fria. Como Estados Unidos e União Soviética mantinham uma forte disputa política, o Brasil teria sido considerado uma opção mais neutra para iniciar os pronunciamentos.
A explicação mais difundida, no entanto, está relacionada ao próprio protocolo dos primeiros encontros da organização.
Segundo Desmond Parker, que era chefe de protocolo da ONU, o Brasil passou a se oferecer para falar primeiro em uma época em que nenhum país queria ocupar essa posição. A prática acabou se transformando em uma tradição.
Brasil e Estados Unidos mantêm posições tradicionais
Desde 1955, o Brasil geralmente ocupa o primeiro lugar e os Estados Unidos aparecem em seguida. A sequência, porém, teve algumas alterações ao longo das décadas.
Nas 38ª e 39ª sessões, realizadas em 1983 e 1984, os Estados Unidos discursaram antes do Brasil.
Também houve mudanças na ordem em 2016 e 2018. Na 71ª sessão, em 20 de setembro de 2016, o Chade acabou falando em segundo lugar devido ao atraso na chegada do presidente dos Estados Unidos.
Em 25 de setembro de 2018, durante a 73ª sessão, o Equador ocupou a segunda posição pelo mesmo motivo: o atraso na chegada do então presidente Donald Trump.
Como funciona a ordem dos discursos
A abertura da Assembleia Geral é seguida pelo chamado Debate Geral, principal momento de pronunciamentos dos países. Apesar do nome, não se trata de um debate direto entre as delegações.
Cada país tem direito a fazer um discurso para apresentar sua posição sobre os principais temas internacionais e a situação global.
Depois da abertura pelo presidente da Assembleia Geral, discursam o secretário-geral da ONU e o presidente da Assembleia Geral. Em seguida, vem o Brasil, seguido pelos Estados Unidos.
Depois dos dois primeiros países, a ordem costuma levar em consideração a hierarquia dos representantes e a chegada das delegações.
Chefes de Estado têm prioridade, seguidos por vice-chefes de Estado e príncipes herdeiros, chefes de governo, ministros e outros representantes de menor escalão.
193 países participam da Assembleia Geral
A ONU foi criada em 1945 com 51 países-membros. Atualmente, a organização reúne 193 Estados.
Além dos países-membros, representantes da Santa Sé e do Estado da Palestina, que possuem status de observadores não membros, também podem discursar. A União Europeia possui uma condição especial de observadora e também participa dos trabalhos.
Os líderes são orientados a limitar seus pronunciamentos a 15 minutos, embora o tempo possa variar durante o evento.
Nesta terça-feira, Lula abrirá a participação dos chefes de Estado no Debate Geral de 2026, mantendo uma tradição brasileira que já dura mais de sete décadas.







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