Parlamentares de 13 países condenam ataques dos EUA contra barcos na América Latina

Deputados e senadores criticam operações no Caribe e no Pacífico, apontam risco de execuções extrajudiciais e pedem que governos não ofereçam apoio à ofensiva

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Mais de 70 parlamentares dos Estados Unidos e de outros países das Américas assinaram uma declaração conjunta contra os ataques promovidos pelos Estados Unidos a embarcações no Caribe e no Pacífico. O documento classifica as mortes provocadas pelas operações como possíveis “execuções extrajudiciais” e cobra o fim das ações.

Entre os signatários estão a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida como AOC, e duas parlamentares brasileiras: Luciene Cavalcante (PSOL-SP) e Ana Pimentel (PT-MG). O grupo pede ao governo americano que encerre “imediata e permanentemente” os ataques.

Segundo dados da plataforma Airwar, que acompanha as operações desde setembro do ano passado, 234 pessoas morreram em 67 ataques que atingiram 71 embarcações na região. Os Estados Unidos afirmam que as ações têm como alvo embarcações supostamente utilizadas pelo narcotráfico.

Parlamentares pedem fim da cooperação com operações

A declaração também solicita que outros países da região não contribuam para as operações americanas por meio do compartilhamento de informações de inteligência, da disponibilização de bases e instalações militares, do apoio logístico ou de outras formas de cooperação.

Além de AOC, o documento foi assinado por parlamentares democratas americanos como Pramila Jayapal, Ilhan Omar, Rashida Tlaib, Ro Khanna, Greg Casar, Jonathan Jackson, Nydia Velázquez, Jesús “Chuy” García, Delia Ramirez, Summer Lee, Hank Johnson e Jan Schakowsky.

A lista reúne representantes de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru e Uruguai, além de Porto Rico.

Documento aponta riscos a comunidades costeiras

Os parlamentares afirmam que não foram apresentadas evidências de que os alvos das operações americanas representassem uma ameaça iminente capaz de justificar o uso de força letal. Segundo o manifesto, as ações também colocam em risco comunidades costeiras e pesqueiras e podem atingir civis.

O grupo questiona ainda a eficácia da ofensiva para combater o narcotráfico e manifesta preocupação com uma possível ampliação da campanha para alvos em terra. O governo de Donald Trump já indicou que pretende manter as operações e ampliar sua atuação.

Os signatários defendem que o combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional seja realizado por meio de cooperação internacional, mas dentro das normas do direito internacional, dos direitos humanos e do respeito à soberania dos países.

Parlamentares defendem investigações e controle

A declaração também cobra transparência, controle democrático das políticas de segurança, investigações judiciais e medidas de combate à corrupção. Para os signatários, essas medidas devem fazer parte de uma estratégia internacional de enfrentamento ao crime organizado.

A pesquisadora Francesca Emanuele, associada sênior de política internacional do CEPR (Centro de Pesquisa de Política Econômica), afirmou que os ataques precisam ser analisados dentro da política do governo Trump para a América Latina e o Caribe. Na avaliação dela, as operações representam um processo de maior militarização da região.

Emanuele também afirmou que países do hemisfério que não se alinharem às posições de Washington poderiam enfrentar pressões ou ações militares. A declaração representa a avaliação da pesquisadora sobre os possíveis precedentes criados pelas operações.

Países aliados de Trump adotam posição diferente

No mesmo dia, o Escudo das Américas, aliança de países com governos conservadores criada pelo governo Trump, divulgou um documento de apoio à decisão dos Estados Unidos de classificar organizações criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como grupos terroristas.

A relação inclui Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Os efeitos práticos da declaração ainda não estavam definidos.

Segundo analistas citados pela reportagem original, a iniciativa pode contribuir para criar condições políticas para futuras operações contra organizações criminosas acusadas de tráfico de drogas. O governo brasileiro, que não participa do Escudo das Américas, avaliava o conteúdo do documento divulgado durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

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