Trama golpista: PGR defende manutenção da prisão do coronel Marcelo Câmara

Ex-assessor de Bolsonaro é acusado de tentar interferir na delação premiada de Mauro Cid

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que mantenha a prisão preventiva do coronel da reserva Marcelo Câmara, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro. Câmara está preso desde junho por suspeita de tentar interferir no acordo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e personagem central nas investigações contra o ex-mandatário.

A manifestação de Gonet foi uma resposta a um recurso da defesa do coronel, que tenta obter sua liberdade. O próprio advogado de Câmara, Eduardo Kuntz, apresentou ao STF uma petição relatando conversas com um perfil de rede social que ele atribui a Mauro Cid. Nas mensagens, o advogado solicitava que Cid poupasse seu cliente nos depoimentos e até sugeria que trocasse de defensor, recomendando-se para assumir o caso.

“As capturas de tela anexadas […] incluem mensagens enviadas pelo procurador ao suposto perfil de Mauro César Barbosa Cid, como: ‘Poxa… pede para ele falar sobre o Câmara… você sabe que ele não fez nada de errado’”, destacou Gonet no parecer. Outro trecho mencionado menciona uma “história da Professora”, em que Kuntz teria dito que, se Cid afirmasse que “a Professora é a Madre Teresa”, então Câmara teria passado uma informação incorreta — o que indicaria tentativa de alinhamento de versões.

Na avaliação do procurador-geral, os elementos demonstram que Câmara não só tinha conhecimento das abordagens feitas por seu advogado como também se beneficiava delas em sua defesa. “Os trechos insinuam que Marcelo Costa Câmara não apenas conhecia a conversa conduzida por seu advogado, mas dela se beneficiou ao utilizá-la como argumento defensivo”, argumentou Gonet.

Para PGR, há risco concreto à instrução criminal

O procurador sustentou ainda que os fatos revelam um “risco concreto à conveniência da instrução criminal e à aplicação da lei penal”, razão pela qual recomendou a manutenção da prisão preventiva. A Polícia Federal já abriu inquérito específico para apurar o episódio.

Essa não é a primeira vez que o coronel Marcelo Câmara é alvo de medidas cautelares. Entre janeiro e maio do ano passado, ele já havia sido preso por suspeita de monitorar ilegalmente o ministro Alexandre de Moraes, relator dos principais inquéritos envolvendo Bolsonaro no STF. Na ocasião, ele foi libertado mediante o cumprimento de medidas restritivas, como o uso de tornozeleira eletrônica.

Agora, caberá ao STF decidir se mantém ou revoga a prisão preventiva de Marcelo Câmara diante dos novos elementos apresentados pela Procuradoria-Geral da República.

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