Cid teria fornecido novas informações confirmando participação de Braga Netto nos planos do golpe de estado

Cid revelou detalhes da reunião que teria ocorrido no apartamento de Braga Netto para discutir planos da tentativa de golpe de Estado após a derrota de Bolsonaro em 2022

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, após ele prestar novo depoimento nesta quinta-feira (21). De acordo com informações apuradas, o acordo foi mantido porque Cid forneceu novas informações importantes, especialmente sobre o envolvimento do general Braga Netto em supostas articulações golpistas.

No depoimento, Cid revelou detalhes de uma reunião que teria ocorrido no apartamento de Braga Netto para discutir planos relacionados a uma tentativa de golpe de Estado após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022. A delação de Cid já havia sido colocada em risco devido a inconsistências e omissões apontadas pela Polícia Federal, mas as novas revelações foram consideradas significativas para as investigações.

Braga Netto, ex-ministro da Defesa e ex-candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, foi indiciado nesta mesma data junto com o ex-presidente e outras 36 pessoas. Mauro Cid também integra a lista de indiciados no inquérito que apura as tentativas de subverter o resultado eleitoral de 2022.

PF havia relatado a Moraes que Cid tinha violado cláusulas da delação premiada. Como o acordo foi homologado pelo ministro, cabia a ele analisar se houve algum descumprimento nos termos firmados. Os investigadores, no entanto, não pediram a rescisão da delação. Moraes pediu ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, um parecer sobre a validade do acordo. Mas manteve os benefícios ao final do depoimento de hoje.

Depoimento durou 3 horas. Ele chegou ao Supremo por volta das 13h30 pela garagem do subsolo. Ele não estava de farda e foi acompanhado por seus advogados, Cezar Bittencourt e Vania Adorno Bitencourt. Foi a segunda vez em oito meses em que ele foi chamado a dar explicações. Após as três horas de oitiva, o tenente-coronel retornou à sua casa e manteve seus benefícios.

O tenente-coronel foi intimado por Moraes a explicar contradições e omissões em depoimento à Polícia Federal na terça (19). Para investigadores, Cid deixou de informar à corporação detalhes sobre o plano de golpe de militares que incluiria o assassinato do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do próprio Moraes.

Depoimento durou 3 horas. Ele chegou ao Supremo por volta das 13h30 pela garagem do subsolo. Ele não estava de farda e foi acompanhado por seus advogados, Cezar Bittencourt e Vania Adorno Bitencourt. Foi a segunda vez em oito meses em que ele foi chamado a dar explicações. Após as três horas de oitiva, o tenente-coronel retornou à sua casa e manteve seus benefícios.

Cid já foi preso duas vezes. A primeira foi em maio de 2023, no âmbito das investigações sobre um esquema de fraude de cartão de vacinação que teria beneficiado Bolsonaro. Ele deixou a prisão em setembro do ano passado, após fechar acordo de delação premiada.

A segunda prisão ocorreu em março deste ano, também depois de um depoimento ao STF. Moraes ordenou a prisão por crime de obstrução de Justiça após a revista Veja divulgar áudios em que o militar criticava o ministro e afirmava que os investigadores estarvam com uma “narrativa pronta” sobre os fatos que ele deveria relatar. Cid chegou a desmaiar ao saber que voltaria à prisão.

Cid disse à PF desconhecer plano de assassinatos. Mensagens apagadas pelo tenente-coronel e depois recuperadas pela investigação expõem participação dele no monitoramento dos passos do ministro do STF. Ele afirmou no depoimento, porém, que o objetivo era descobrir se Moraes estava mantendo encontros com adversários políticos de Bolsonaro, o que reforçaria as teorias de conspiração para derrotar o então presidente nas urnas.

Com informações do UOL.

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