A citação do coronel José Augusto Coutinho em um inquérito que apura possíveis ligações entre agentes da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) passou a ser explorada no ambiente político de São Paulo.
O episódio tem sido utilizado por adversários como argumento para pressionar as pré-candidaturas do governador Tarcísio de Freitas, que busca a reeleição, e do deputado federal Guilherme Derrite, que pretende disputar o Senado.
A movimentação ganhou força principalmente nas redes sociais, com publicações que associam o tema à segurança pública no estado e à atuação de figuras ligadas ao governo.
Pressão nas redes sociais
A repercussão inclui postagens de políticos ligados à pré-campanha de Fernando Haddad, principal adversário de Tarcísio. Também houve manifestações em contas oficiais do partido do ex-ministro da Fazenda. Apesar da intensidade das publicações, integrantes negam que exista uma estratégia coordenada.
Parte do conteúdo compartilhado utiliza recursos de inteligência artificial para narrar críticas que abordam desde o aumento de furtos de celulares até a suspeita envolvendo o ex-comandante da PM. Uma das peças questiona a condução da segurança pública no estado e levanta dúvidas sobre responsabilidades.
Atuação de aliados de Haddad
O tema também foi impulsionado por parlamentares. O deputado estadual Emídio de Souza publicou conteúdos que relacionam Tarcísio a episódios envolvendo personagens investigados em operações policiais. Em uma das mensagens, escreveu: “Diga-me com quem andas que eu te direi quem és”.
Outro parlamentar, Maurici, afirmou que o assunto tem sido abordado, mas rejeitou a ideia de uma ação coordenada. “É um tema que estamos trazendo, sim. Aumento de feminicídio, furto de celular, a destruição de uma família como a da menina que morreu baleada por uma policial. Mas não é, digamos assim, uma ação deliberada de campanha, nem em termos de bancada”, declarou.
Relação entre Derrite e Coutinho
Guilherme Derrite mantém relação próxima com Coutinho, que deixou recentemente o comando da Polícia Militar. Os dois atuaram juntos na Rota e também tiveram ligação na formação profissional, já que o coronel foi instrutor do deputado na Academia do Barro Branco.
Durante a gestão de Derrite na Secretaria de Segurança Pública, Coutinho foi nomeado subcomandante e, posteriormente, chegou ao posto máximo da corporação. Após a saída do coronel, Derrite publicou agradecimento pelos serviços prestados à instituição.
Defesa do ex-comandante
Após a divulgação da citação no inquérito, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que a troca no comando da Polícia Militar não teve relação com o caso e saiu em defesa do oficial.
“O coronel Coutinho tem uma reputação ilibada, é uma pessoa que sempre prestou excelente serviço na Polícia Militar. Essas trocas são comuns. Eu acho que o coronel cumpriu muito bem o papel dele”, disse.
Aliados do governo avaliam que não há impacto direto sobre a imagem das pré-candidaturas, ressaltando a ausência de acusações formais ou processos contra o ex-comandante.
Detalhes da investigação
O inquérito inclui relatos de possíveis vazamentos de informações que teriam beneficiado integrantes do PCC. O promotor Lincoln Gakiya afirmou ter comunicado situações ao então comandante da tropa de elite da PM, incluindo suspeitas de irregularidades envolvendo agentes da Rota.
Entre os pontos mencionados estão a suposta gravação ilegal de uma reunião com o Ministério Público e o repasse do material a um integrante da facção criminosa. Também há o depoimento de um sargento preso que citou Coutinho ao relatar episódios internos na corporação.
Segundo a Procuradoria de Justiça Militar, o coronel pode responder por prevaricação e condescendência criminosa caso fique comprovada omissão diante das irregularidades.
Posicionamentos oficiais
A defesa de Coutinho afirma que o coronel possui absoluta idoneidade e que jamais foi alvo de processos ou investigações ao longo da carreira. Ressalta ainda que a simples citação em um procedimento investigativo não implica responsabilidade ou envolvimento em irregularidades.
A Secretaria de Segurança Pública informou que não comenta investigações em andamento, devido ao sigilo, mas destacou que eventuais apurações seguem critérios técnicos e o devido processo legal, com adoção de medidas cabíveis quando necessário.






Deixe um comentário