O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a realização de uma acareação entre o tenente-coronel Mauro Cid e o coronel Marcelo Câmara no âmbito do inquérito que apura a suposta tentativa de golpe de Estado envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A sessão está marcada para o próximo dia 13, às 11h30, e será conduzida pela Polícia Federal.
O pedido partiu da defesa de Marcelo Câmara, que atuou como assessor direto de Bolsonaro. Segundo os advogados, a medida é necessária diante do que classificam como “inconsistências relevantes” nas declarações prestadas por Mauro Cid — delator no caso e ex-ajudante de ordens do ex-presidente. Para a defesa, a acareação é “imprescindível na busca da verdade real”.
Os advogados de Câmara contestam três pontos centrais do depoimento de Cid à PF. O primeiro deles é a acusação de que Câmara teria acessado e manipulado as chamadas “minutas golpistas” durante reuniões realizadas no Palácio da Alvorada, documento que seria parte de um plano para sustentar juridicamente a tentativa de golpe. O segundo ponto diz respeito à suposta participação do coronel em um esquema de monitoramento “perene, contínuo e consciente” de autoridades como o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
O terceiro elemento questionado refere-se à alegação de que Câmara, no início do suposto esquema, desconhecia a real finalidade dos pedidos de informação feitos por Mauro Cid, mas que teria, posteriormente, tomado conhecimento do objetivo das solicitações encaminhadas pelo major Rafael Martins de Oliveira.
A defesa sustenta que as declarações de Cid estariam “isoladas e dissociadas dos demais elementos de prova” constantes no inquérito e que a confrontação direta entre os dois é essencial para esclarecer as divergências e contribuir com a apuração dos fatos.
Conflito de versões
Esta será a segunda acareação envolvendo Mauro Cid em investigações sobre o suposto plano golpista. Em uma audiência anterior, Cid já havia sido confrontado com o ex-ministro da Defesa e general da reserva Braga Netto. Na ocasião, Cid reafirmou que teria recebido, em espécie, uma quantia em dinheiro entregue em uma caixa de vinho fechada pelo general. Braga Netto, por sua vez, negou categoricamente a versão apresentada pelo ex-ajudante de ordens e afirmou que Cid estava “faltando com a verdade”.
A acareação entre Cid e Marcelo Câmara poderá ajudar a esclarecer o papel desempenhado por figuras próximas a Bolsonaro na elaboração e eventual execução de medidas que atentariam contra o Estado democrático de direito, incluindo a circulação de documentos apócrifos e ações de vigilância contra integrantes dos Três Poderes.
A audiência ocorrerá em um momento de crescente pressão sobre a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar desde a última semana por descumprimento de medidas cautelares, conforme decisão do ministro Alexandre de Moraes. O conjunto de apurações conduzidas pela Polícia Federal avança sobre o núcleo político e militar do entorno de Bolsonaro e deve ganhar novos desdobramentos a partir dos próximos depoimentos e diligências.






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