Morreu nesta segunda-feira (27), aos 42 anos, a ex-vereadora Luciana Novaes (PT). Veterana da Câmara do Rio, a assistente social exerceu três mandatos na Casa e foi a primeira pessoa tetraplégica no parlamento carioca. O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) chegou a decretar luto oficial de três dias na cidade em edição extraordinária do Diário Oficial durante a noite
A ex-parlamentar enfrentava complicações de saúde desde o fim do ano passado, quando foi internada em estado grave na UTI para tratar um quadro de infecção. Segundo a assessoria, ela sofreu uma “intercorrência súbita e grave, compatível, segundo informações médicas, com rompimento de aneurisma cerebral”, com “piora crítica de seu quadro neurológico”.
Nos grupos, vereadores têm compartilhando mensagens de condolências à família de Luciana.
A Câmara chegou a emitir uma nota oficial de pesar destacando a trajetória da ex-parlamentar. No texto, a presidência, comandada por Carlo Caiado (PSD), ressalta a história de superação da vereadora e o legado deixado por Luciana sobretudo na defesa das pessoas com deficiência, uma de suas principais defesas.
“O presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Carlo Caiado, manifesta profundo pesar pelo falecimento da parlamentar, uma mulher que transformou a própria dor em propósito e fez da sua trajetória um exemplo permanente de luta, coragem e amor ao próximo”, diz parte do texto. “Neste momento de dor, a Câmara Municipal se solidariza com familiares, amigos e toda a equipe de seu mandato. O Rio de Janeiro perde uma grande mulher, mas seu legado permanece vivo, na memória da cidade e no coração de todos que foram tocados por sua trajetória”, afirma outra parte da nota.
Vítima de bala perdida em 2003 e primeira pessoa tetraplégica na Câmara dos Vereadores
A ex-vereadora ficou conhecida por uma trajetória marcada pela superação. Em 2003, quando cursava Enfermagem na Estácio de Sá, Luciana foi atingida por uma bala perdida dentro do campus, no Rio Comprido, na Zona Norte. O disparo a deixou tetraplégica e dependente de ventilação mecânica. À época, médicos chegaram a estimar apenas 1% de chance de sobrevivência.
Após um longo período de internação e reabilitação, ela retomou os estudos, se formou em Serviço Social e se pós-graduou em Gestão Pública. A experiência pessoal passou a orientar a atuação política de Luciana, com foco na defesa dos direitos das pessoas com deficiência e na ampliação de políticas públicas de inclusão.
Novaes foi eleita vereadora pela primeira vez em 2016, tornando-se a primeira pessoa tetraplégica a ocupar uma cadeira na Câmara. Ao longo dos mandatos, apresentou diversos projetos voltados à acessibilidade e ao atendimento de pessoas com deficiência na cidade, tendo cerca de 200 leis aprovadas — no primeiro mandato, foi campeã em aprovação de propostas. Na Casa, também exerceu a presidência da Comissão da Pessoa com Deficiência.
Nas eleições de 2023, ficou na suplência, mas voltou ao mandato com a licença da vereadora Tainá de Paula (PT), que deixou a cadeira temporariamente para integrar o secretariado municipal.
Além da defesa das pessoas com deficiência, também tinha como pauta os direitos dos idosos; a inclusão de pessoas em situação de rua; o combate à corrupção, pobreza e desigualdade; além da segurança pública.
Confira na íntegra a nota de pesar da Câmara do Rio
“Em virtude do acionamento do protocolo de morte cerebral da vereadora Luciana Novaes (PT), o presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Carlo Caiado (PSD), manifesta profundo pesar pelo falecimento da parlamentar, uma mulher que transformou a própria dor em propósito e fez da sua trajetória um exemplo permanente de luta, coragem e amor ao próximo.
Luciana, que tinha 42 anos, foi mais do que uma parlamentar atuante. Foi símbolo de perseverança e superação. Mesmo diante de uma das maiores adversidades que alguém pode enfrentar, encontrou forças para reconstruir sua vida e se dedicar ao serviço público com dignidade, sensibilidade e compromisso com quem mais precisa.
Ao longo de sua atuação, deixou um legado consistente de quase 200 leis, sempre voltadas para a inclusão, a defesa das pessoas com deficiência, dos idosos e da população em situação de vulnerabilidade. Sua voz firme e sua escuta generosa fizeram diferença na vida de milhares de cariocas, olhando não apenas para a cidade, mas para cada indivíduo que precisava ser visto, acolhido e respeitado.
Sua história, marcada por fé, resiliência e propósito, seguirá inspirando gerações. Luciana mostrou, na prática, que limites não definem destinos quando há vontade de transformar o mundo ao redor.Neste momento de dor, a Câmara Municipal se solidariza com familiares, amigos e toda a equipe de seu mandato. O Rio de Janeiro perde uma grande mulher, mas seu legado permanece vivo, na memória da cidade e no coração de todos que foram tocados por sua trajetória”.






Deixe um comentário