A morte de um operário durante a montagem de uma estrutura em Copacabana, na Zona Sul do Rio, passou a ser investigada como possível caso de homicídio culposo. O eletricista responsável por acionar o elevador envolvido no acidente pode ser responsabilizado criminalmente.
A informação foi confirmada pelo delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), que conduz o inquérito.
Como ocorreu o acidente
De acordo com a investigação, o eletricista acionou o equipamento a cerca de 25 metros de distância, sem visibilidade direta da vítima. Em depoimento, ele confirmou que operava o sistema a partir de um painel remoto enquanto o serralheiro Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, realizava um trabalho de soldagem na área.
A ausência de visão do local no momento da operação é considerada um dos principais fatores analisados pela polícia para caracterizar possível negligência.
Responsabilidades em apuração
Além do eletricista, outros envolvidos estão sob investigação. Entre eles, o responsável pela empresa encarregada da montagem, a engenheira que assinou o projeto e técnicos de segurança do trabalho.
A apuração ganhou novos elementos após vistoria do Crea-RJ, que apontou irregularidades. Segundo o órgão, a empresa Cenoart não possui registro para exercer atividades de engenharia e não teria responsável técnico legalmente habilitado para esse tipo de operação.
O dono da empresa foi chamado para depor, mas não compareceu na data prevista. Outros depoimentos ainda serão colhidos.
Falhas de segurança sob análise
A investigação conta com o apoio do Ministério do Trabalho e Emprego, que avalia possíveis descumprimentos de normas de segurança. A perícia técnica realizada no local será decisiva para esclarecer as circunstâncias do acidente.
A expectativa é que o laudo fique pronto nas próximas semanas e indique se houve negligência, imprudência ou imperícia na operação do sistema.
“Funcionário confirmou ter ligado equipamento sem visibilidade da vítima”, aponta a linha investigativa.
Vítima e comoção
Gabriel foi socorrido em estado grave e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, mas não resistiu aos ferimentos. A morte causou forte comoção entre familiares, amigos e outros trabalhadores que atuavam na montagem da estrutura.
Morador de Magé, o serralheiro era casado e deixou três filhos pequenos. Segundo familiares, ele era o principal responsável pelo sustento da casa e frequentemente aceitava trabalhos extras, inclusive aos fins de semana e feriados, para aumentar a renda.
O enterro ocorreu na terça-feira (28), em Magé, sob clima de tristeza e comoção.
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