Paes usa prisão de deputado para endurecer críticas à Alerj e gestão de Castro

Pré-candidato ao Governo do Estado, Eduardo Paes associa escândalos investigados pela Polícia Federal ao legado político de Cláudio Castro e faz duras críticas à gestão da educação fluminense

O ex-prefeito do Rio e pré-candidato ao Governo do Estado, Eduardo Paes (PSD), divulgou um vídeo nas redes sociais nesta quarta-feira (6) com duras críticas ao cenário político e à gestão da educação pública no Rio de Janeiro. A manifestação ocorreu após a operação da Polícia Federal que teve como alvo a Secretaria Estadual de Educação e resultou em novos mandados de prisão – um deles contra o deputado estadual Thiago Rangel – e buscas na sede da Assembleia Legislativa do Rio.

No vídeo, Paes relaciona diretamente as investigações da PF ao grupo político que governou o estado nos últimos anos e afirma que o Rio vive um processo de deterioração institucional.

“Ontem a Polícia Federal cumpriu mais sete mandatos de prisão. Um deputado estadual algemado. Buscas na sede da Alerj”, declarou o ex-prefeito logo no início do vídeo.

O político também destacou um trecho das investigações que, segundo ele, seria o “detalhe mais sórdido” do caso.

“As investigações da Polícia Federal mostram que o deputado preso ontem oferecia vagas de emprego na educação estadual a um traficante de Campos dos Goitacazes, conhecido como Júlio do Beco, com histórico de homicídio, tráfico e associação criminosa”, afirmou.

Na sequência, Paes endureceu ainda mais o discurso e acusou a existência de um esquema de influência política dentro da educação estadual. “O traficante indicava o nome, o deputado nomeava na educação. É isso que a gente precisa entender. A Escola Pública do Rio virou balcão de negócios entre político e traficante”, disse.

Ao longo da gravação, o ex-prefeito também citou o ex-presidente da Alerj, preso preventivamente, e afirmou que os episódios fazem parte de uma mesma estrutura política. “É a mesma cúpula. É a mesma máfia que tomou conta do Estado do Rio de Janeiro nessa última década”, declarou.

Paes ainda criticou a ausência de votação da lei do ICMS Educacional pela Assembleia Legislativa, afirmando que a falta da medida teria causado perdas de recursos federais para o estado. Segundo ele, o Rio foi o único estado do país desabilitado pelo Ministério da Educação para receber esses valores.

“Soma isso, pior salário de professor do Brasil. O penúltimo Ideb de todos. Recusa em aplicar o piso do magistério no segundo maior PIB do país”, afirmou.

O ex-prefeito também mencionou números relacionados aos royalties do petróleo destinados à educação e fez novas acusações contra a gestão estadual dos últimos anos. “16 bilhões em royalties do petróleo que deveriam ter ido para a educação foram desviados entre 2019 e 2025. Esse é o legado”, disse.

Na reta final do vídeo, Paes elevou novamente o tom político ao mencionar a situação do ex-governador Cláudio Castro e os recentes episódios envolvendo a Assembleia Legislativa.

“Governador inelegível, cassado, presidente da Alerj preso, deputado preso ontem, traficante indicando cargo na educação e mais de R$ 100 milhões a menos para as crianças fluminenses. O Rio não aguenta mais”, afirmou.

Encerrando a publicação, o pré-candidato defendeu mudanças profundas na política fluminense. “Chega de máfia loteando a educação dos nossos filhos com crime organizado. Reconstrução do Rio é necessária já. O Rio merece muito mais do que isso.”

A publicação ampliou a temperatura da disputa política no estado e reforçou o tom de enfrentamento adotado por Paes contra o grupo político ligado ao ex-governador Cláudio Castro e setores da atual composição da Alerj.

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