TCU terá acesso a documentos do Banco Central sobre liquidação do Banco Master, diz Vital do Rêgo

Decisão foi anunciada após reunião entre cúpulas das duas instituições, depois de recuo da Corte na abertura de inspeção técnica

O Tribunal de Contas da União (TCU) terá acesso aos documentos do Banco Central (BC) que fundamentaram a liquidação extrajudicial do Banco Master. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (12) pelo presidente da Corte, ministro Vital do Rêgo, após reunião com a cúpula da autoridade monetária.

Segundo Vital do Rêgo, o encontro serviu para afastar dúvidas sobre a atuação do TCU e definir os limites da fiscalização. “Essa inspeção já está acontecendo e, pela reunião que fizemos hoje, definimos que o TCU vai ter acesso aos documentos que foram base para o processo liquidatório”, afirmou o ministro ao Globo.

Reunião buscou reduzir tensões entre TCU e BC

O encontro ocorreu poucos dias depois de o TCU suspender uma inspeção técnica que havia sido autorizada de forma individual pelo relator do caso, ministro Jhonatan de Jesus, para apurar a atuação do Banco Central na liquidação do Master, decretada em novembro do ano passado.

Também participaram da reunião o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os diretores Ailton de Aquino (Fiscalização), Gilneu Vivan (Regulação), Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta) e Rogério Lucena (Secretário-Executivo). Segundo Vital, o BC demonstrou disposição para colaborar. “Tivemos do Banco Central as portas inteiramente abertas para o poder fiscalizatório”, disse.

Inspeção havia sido suspensa após recurso do Banco Central

A decisão de suspender a inspeção ocorreu após forte repercussão negativa e depois de o Banco Central apresentar recurso contra a autorização monocrática do relator. No documento, o BC argumentou que uma fiscalização desse porte deveria ser avaliada pelo plenário do TCU, e não decidida individualmente.

A autoridade monetária também sustentou que a iniciativa poderia extrapolar os limites do controle externo, ao atingir decisões técnicas relacionadas à supervisão bancária. Antes mesmo do recuo, Vital do Rêgo já havia ressaltado que o TCU não tem competência para reverter a liquidação do banco, o que só poderia ser questionado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Caso será analisado pelo plenário do TCU

O processo chegou ao TCU a partir de uma representação do Ministério Público junto à Corte de Contas, que solicitou esclarecimentos sobre os critérios adotados pelo Banco Central para decretar a liquidação do Banco Master. A área técnica do Tribunal defendeu o acesso aos documentos para verificar a motivação da decisão e se alternativas menos drásticas foram consideradas.

Em resposta, o Banco Central informou que o conglomerado liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro enfrentava uma grave crise de liquidez, sem recursos suficientes para honrar compromissos com correntistas e investidores. Segundo o BC, apesar de tentativas de solução, a liquidação foi considerada inevitável.

Agora, caberá ao plenário do TCU decidir se haverá uma inspeção formal no Banco Central e qual será o alcance da fiscalização sobre a atuação da autoridade monetária no caso do Banco Master.

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