Maré: mineradora de criptomoedas encontrada em território do TCP expõe nova fonte de renda do crime

Estrutura usada para mineração de criptomoedas foi localizada durante operação contra o Terceiro Comando Puro; é a segunda descoberta semelhante em comunidades do Rio em menos de um mês

A descoberta de uma estrutura de mineração de criptomoedas em uma área controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, reforçou o alerta das autoridades sobre a diversificação das atividades econômicas exploradas por facções criminosas no Rio de Janeiro.

O equipamento foi encontrado nesta quarta-feira (10) durante a Operação Trinus, realizada pela Polícia Civil na Vila do João, uma das comunidades que integram o complexo de favelas da Zona Norte da capital fluminense. Segundo os investigadores, o local abrigava diversos computadores e equipamentos tecnológicos utilizados para a mineração de ativos digitais.

A apreensão ocorre menos de um mês após outra descoberta semelhante no Complexo do Lins, também na Zona Norte. Na ocasião, os agentes localizaram uma estrutura de mineração de criptomoedas instalada nos fundos de um mercado apontado como fachada. A região é dominada pelo Comando Vermelho (CV).

Nova frente de atuação

De acordo com o delegado Tiago Dorigo, titular da 21ª DP (Bonsucesso), a utilização desse tipo de tecnologia por grupos criminosos não surpreende os investigadores. Segundo ele, organizações criminosas têm buscado novas formas de gerar recursos e ampliar suas atividades econômicas.

Para a Polícia Civil, a mineração de criptomoedas pode servir tanto para a obtenção de lucro quanto para a ocultação de recursos oriundos de atividades ilícitas. A prática exige equipamentos de alto desempenho e grande consumo de energia elétrica, característica que, segundo os investigadores, favorece a instalação dessas estruturas em áreas onde a fiscalização é mais difícil.

Consumo elevado de energia

Um dos fatores que chamaram a atenção dos agentes foi justamente a demanda energética necessária para manter o funcionamento dos equipamentos. Segundo Dorigo, esse consumo poderia ser facilmente identificado em outras regiões da cidade, mas encontra menos obstáculos em áreas dominadas por facções criminosas.

A Polícia Civil avalia que o ambiente de controle territorial exercido por grupos armados acaba atraindo diferentes tipos de atividades ilegais, que buscam proteção e menor risco de fiscalização.

Prisões e veículos recuperados

Além da descoberta da mineradora de criptomoedas, a Operação Trinus resultou, até o momento, na prisão de 20 suspeitos e na recuperação de 30 veículos roubados ou furtados.

A investigação prossegue para identificar os responsáveis pela estrutura tecnológica encontrada na Maré e apurar a origem dos equipamentos apreendidos. A polícia também busca esclarecer se a operação estava diretamente ligada à facção criminosa ou era explorada por terceiros sob a proteção do grupo que controla a região.

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