Os Estados Unidos retomaram neste sábado (22) a cobrança de tarifas de 50% sobre produtos importados do Canadá, depois que as negociações para um acordo comercial entre os dois países terminaram sem consenso. A decisão reacende a disputa entre duas economias fortemente integradas e abre caminho para uma nova rodada de retaliações comerciais.
As tarifas passaram a valer à 0h01 pelo horário de Washington, 1h01 em Brasília. Segundo a Reuters, um alto funcionário do governo do presidente Donald Trump afirmou que não existem, neste momento, novas reuniões previstas para tentar retomar as negociações.
A Casa Branca sustenta que apresentou ao Canadá uma proposta que reduziria substancialmente as tarifas e garantiria condições mais favoráveis de acesso ao mercado estadunidense. Na avaliação de Washington, porém, o governo canadense se recusou a finalizar o entendimento.
Do outro lado, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou a suspensão das negociações e afirmou que os avanços obtidos até agora não eram suficientes para atender aos interesses do país. Ele também prometeu uma resposta às novas barreiras impostas pelos Estados Unidos.
Canadá promete reação “dólar por dólar”
A decisão de Washington deve provocar uma reação equivalente de Ottawa. Carney afirmou que o Canadá responderá às tarifas de 50% com medidas de igual proporção, “dólar por dólar”, com o objetivo de proteger trabalhadores e empresas canadenses.
A posição canadense contrasta com a avaliação que vinha sendo apresentada pelo governo Trump nos últimos dias. Washington havia indicado que as negociações estavam próximas de produzir um acordo entre os dois países.
Apesar do fracasso das conversas, um representante do governo dos EUA afirmou que as reuniões entre as delegações foram “muito francas”, mas não tiveram caráter hostil.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que o Canadá ainda mantém medidas de retaliação contra produtos estadunidenses.
Um alto funcionário da administração Trump disse, entretanto, que Washington não espera uma nova retaliação canadense em resposta às tarifas que começaram a vigorar neste sábado. A declaração antecede a eventual implementação das medidas prometidas por Carney.
Automóveis entraram no centro das negociações
O comércio de veículos foi um dos pontos discutidos durante as tentativas de entendimento.
Segundo o governo dos EUA, a proposta colocada sobre a mesa oferecia condições favoráveis para as exportações canadenses de automóveis destinadas aos Estados Unidos. O Canadá, porém, teria exigido concessões adicionais relacionadas às tarifas previstas na Seção 232 da legislação comercial dos EUA.
Esse dispositivo permite aos Estados Unidos impor barreiras comerciais com justificativas relacionadas à segurança nacional e tem sido utilizado por Washington em disputas envolvendo setores considerados estratégicos.
Na avaliação do governo Trump, a política tarifária tem como objetivos proteger empregos dos estadunidenses, fortalecer as cadeias de abastecimento e estimular empresas a transferirem ou ampliarem sua produção industrial dentro dos Estados Unidos.
O governo dos EUA afirma ainda que o acordo discutido com Ottawa contemplaria as tarifas retaliatórias anteriormente impostas pelo Canadá.
Nova escalada amplia tensão comercial
A retomada das tarifas representa uma nova escalada depois de uma tentativa de distensão realizada poucos dias antes.
Trump havia suspendido temporariamente, por três dias, a entrada em vigor das tarifas de 50%, abrindo uma janela adicional para que representantes dos dois governos tentassem chegar a um entendimento.
O prazo, porém, terminou sem acordo.
Com isso, Washington colocou novamente em vigor as barreiras comerciais, enquanto Ottawa interrompeu as negociações e anunciou que pretende responder com tarifas equivalentes.
As taxas retomadas neste sábado são aplicadas com base na Seção 338 da legislação comercial estadunidense, segundo orientação da autoridade de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos.
A interrupção das negociações aumenta a incerteza sobre as relações econômicas entre os dois vizinhos. Estados Unidos e Canadá mantêm cadeias produtivas profundamente conectadas, especialmente em setores como indústria automobilística, energia e manufatura, o que amplia o potencial de impacto de uma disputa tarifária prolongada.
Sem novas reuniões previstas e com o governo canadense anunciando retaliação, o impasse entra agora em uma nova etapa, marcada pela volta das tarifas de 50% e pela possibilidade de medidas equivalentes contra produtos dos EUA.







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