Segurança, STF, saúde e crise fiscal marcam debate ao Senado pelo Rio

Carlos Jordy, Pedro Paulo, Marcelo Crivella e Marcos Dias trocaram críticas e apresentaram propostas sobre facções, Supremo, SUS, emprego e contas públicas

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Segurança pública, atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), crise fiscal, emprego e os problemas enfrentados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) concentraram as principais discussões do debate entre candidatos ao Senado pelo Rio de Janeiro promovido pelo g1 nesta terça-feira (22). Carlos Jordy (PL), Pedro Paulo (PSD), Marcelo Crivella (Republicanos) e Marcos Dias (Podemos) apresentaram propostas e protagonizaram divergências sobre temas nacionais e estaduais.

A segurança produziu alguns dos confrontos mais acentuados. Jordy defendeu endurecimento da legislação contra integrantes de facções, manutenção de criminosos de alta periculosidade em presídios de segurança máxima e retomada permanente de territórios, com investimento em inteligência. Pedro Paulo propôs que o Exército treine contingentes especializados para apoiar as forças estaduais e defendeu penas mais duras para integrantes do comando de organizações criminosas.

Crivella propôs maior participação das Forças Armadas e aproximação entre empresas privadas de segurança e o poder público. Marcos Dias defendeu integração entre órgãos, Poderes e forças policiais. Ao falar da violência, relatou que perdeu um irmão, baleado na cabeça há 13 anos.

Segurança vira palco de embate político

Pedro Paulo responsabilizou a gestão do ex-governador Cláudio Castro pelo agravamento da situação da segurança e afirmou que o crime chegou ao Palácio Guanabara. Também insinuou uma proximidade política entre Castro e Jordy, sem citar diretamente o adversário. Jordy rebateu, negou ter sido aliado do ex-governador e classificou como “leviano” atribuir os problemas da segurança apenas à administração estadual.

A discussão avançou para as saídas temporárias de presos. Jordy criticou o voto de Pedro Paulo sobre o tema. O candidato do PSD respondeu que é contrário ao benefício para determinados criminosos, mas sustentou que a legislação deve diferenciar delitos de menor gravidade de crimes como assassinato e feminicídio. Marcos Dias também entrou na discussão e criticou a posição de parlamentares do PT sobre as “saidinhas”.

STF e Alexandre de Moraes entram no debate

O funcionamento do STF também provocou críticas dos quatro candidatos. Jordy fez os ataques mais contundentes, especialmente contra Alexandre de Moraes, e relacionou suas críticas às informações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. Moraes nega ter favorecido Vorcaro ou a instituição financeira. Jordy defendeu impeachment de ministros, limitação de decisões monocráticas e mandato fixo para integrantes da Corte.

Pedro Paulo afirmou ser favorável ao impeachment quando houver desvio de conduta e defendeu mandato para ministros, idade mínima maior para ingresso no STF e redução das decisões individuais, mas rejeitou que mudanças institucionais sejam transformadas em perseguição política.

Marcos Dias propôs mandato de oito anos e prioridade a juízes de carreira na escolha dos ministros. Crivella também defendeu mandatos e avaliações periódicas dos integrantes da Corte, lembrando ter apresentado, em 2005, uma proposta sobre sabatinas periódicas para ministros.

SUS, emprego e crise das contas públicas

Na saúde, as filas do Sisreg e a dificuldade de acesso a exames e especialistas estiveram no centro das propostas. Crivella criticou os critérios do sistema de regulação e sugeriu parcerias com municípios e iniciativa privada. Jordy propôs unidades móveis de exames para atender o interior, enquanto Marcos Dias apontou problemas de gestão e politização da saúde. Pedro Paulo citou centros de especialidades implantados na capital e defendeu articulação do Senado com o Ministério da Saúde para ampliar investimentos.

Emprego e crise fiscal completaram a agenda. Pedro Paulo afirmou que o Rio atravessa uma crise fiscal, moral e ética e defendeu recuperação da capacidade financeira do estado. Jordy priorizou qualificação profissional, aproximação entre universidades e poder público e incentivos à iniciativa privada. Marcos Dias defendeu que benefícios fiscais alcancem pequenos empreendedores, enquanto Crivella cobrou equilíbrio entre arrecadação e despesas e mudanças na distribuição de receitas.

Ao longo do encontro, as diferenças entre os candidatos ficaram mais evidentes principalmente na forma de enfrentar as facções, na responsabilização política pela crise da segurança e no grau das mudanças propostas para o Supremo. Em saúde e economia, o debate se concentrou mais em alternativas de gestão, financiamento, qualificação profissional e recuperação das contas do Rio.

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