Produtora de Dark Horse aponta gasto de ao menos R$ 600 mil com hotel de luxo em São Paulo

Notas fiscais integram investigação no STF sobre financiamento do filme; PF afirma que ainda busca esclarecer origem, destino e beneficiários dos recursos ligados a Daniel Vorcaro

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A produtora Go Up Entertainment Ltda, responsável pela realização de “Dark Horse”, indicou ter desembolsado ao menos R$ 600 mil com hospedagens de atores e outros profissionais em um hotel de luxo em São Paulo. Os valores aparecem em notas fiscais incluídas no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e apura possíveis crimes relacionados ao financiamento da produção cinematográfica.

Os documentos fazem parte da investigação sob relatoria do ministro André Mendonça e estão entre os arquivos que se tornaram públicos depois que o magistrado retirou, na sexta-feira (11), o sigilo de peças do caso. O financiamento do longa entrou no radar da Polícia Federal por causa dos recursos repassados por Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

O filme, inicialmente chamado de “Capitão do Povo”, teve parte de seu financiamento relacionada pelos investigadores a movimentações financeiras realizadas no exterior. A PF busca reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro e identificar quem efetivamente recebeu os valores.

PF investiga destino dos recursos

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em maio, que os recursos pagos por Vorcaro foram totalmente utilizados na produção. Segundo ele, o dinheiro foi “100% investido no filme” e a produtora poderia apresentar contrato ou prestação de contas para comprovar a aplicação dos valores.

A Polícia Federal, no entanto, registra em documento encaminhado a André Mendonça que ainda considera necessário esclarecer “a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados”.

Um dos focos da investigação é o Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos que recebeu parte dos recursos analisados pelos investigadores. Segundo a PF, a Entre Investimentos e Participações, empresa ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, transferiu US$ 12,33 milhões para o Havengate ao longo de 2025. As operações foram realizadas entre fevereiro e setembro.

Transferências são relacionadas ao filme

De acordo com o relatório policial, os valores das remessas apresentam semelhanças com as parcelas estabelecidas em um acordo de financiamento de US$ 24 milhões destinado a “Dark Horse”, que ainda usava o nome “Capitão do Povo”. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro também foram utilizadas pela PF para relacionar as movimentações ao projeto cinematográfico.

Em fevereiro de 2025, diante de dificuldades para realizar um pagamento destinado ao “filme”, Vorcaro orientou que a operação fosse feita “via Entre”. Na sequência, Fabiano Zettel informou que os recursos seriam enviados para um “fundo”.

Poucos dias depois, segundo a investigação, Zettel encaminhou ao banqueiro um comprovante de uma transferência de US$ 2 milhões realizada pela Entre para o Havengate em 13 de fevereiro. Na mensagem, o pagamento foi relacionado ao filme.

Notas fiscais entram na apuração

Agora, as notas fiscais atribuídas à Go Up Entertainment acrescentam informações sobre despesas da própria produção. Os documentos indicam gastos de pelo menos R$ 600 mil com hospedagem de atores e outros integrantes da equipe em um hotel de luxo na capital paulista.

A existência das despesas, por si só, não responde às questões levantadas pela Polícia Federal sobre todo o fluxo financeiro investigado. O objetivo dos investigadores é estabelecer o percurso completo dos recursos, desde sua origem e passagem pelas empresas e pelo fundo americano até a destinação final. A apuração permanece sob responsabilidade do STF, com relatoria de André Mendonça.

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