Prisões de imigrantes sem condenação criminal batem recorde nos EUA e chegam a 49 mil em um mês

Ofensiva migratória de Trump amplia alcance, enquanto ICE se aproxima da meta de 2 mil detenções por dia

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A ofensiva do governo do presidente Donald Trump contra imigrantes ganhou força nos Estados Unidos e passou a atingir um grupo mais amplo de estrangeiros, incluindo pessoas sem condenações criminais, indivíduos que entraram legalmente no país e até os que buscavam asilo.

Dados federais analisados pelo jornal The New York Times mostram que o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) realizou 43 mil detenções em junho e outras 49 mil em julho, em meio à estratégia da Casa Branca de acelerar as deportações.

A análise foi baseada em informações obtidas pelo grupo acadêmico Deportation Data Project por meio de uma ação judicial de acesso a registros públicos.

Os números indicam uma mudança no perfil dos detidos. Em julho, a maioria das pessoas presas por agentes migratórios era acusada somente de violações civis das leis de imigração, sem denúncia ou condenação criminal. A parcela dos detidos com condenação anterior por crimes violentos caiu para menos de 4%.

A ofensiva também alcançou pessoas casadas com cidadãos estadunidenses, estrangeiros que haviam entrado legalmente nos Estados Unidos e buscavam asilo e imigrantes que possuíam status legal temporário posteriormente revogado pelo próprio governo federal.

ICE se aproxima de 2 mil prisões por dia

Os registros, que detalham as operações até 5 de agosto, mostram que o governo ampliou significativamente sua capacidade de fiscalização migratória.

Um representante do Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que o governo está cumprindo a promessa de prender e deportar criminosos e ressaltou que qualquer pessoa em situação migratória irregular nos Estados Unidos está sujeita à fiscalização.

A intensificação das operações ocorre mesmo depois de dois episódios fatais envolvendo agentes do ICE no Texas e no Maine, casos que provocaram forte reação pública.

Após críticas às táticas empregadas em Minneapolis no início do ano, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, prometeu uma atuação mais discreta e eficiente. Agora, o ICE se aproxima da meta de realizar 2 mil prisões diariamente.

Para Claire Trickler-McNulty, ex-autoridade do ICE, a expansão de pessoal, recursos e infraestrutura criou condições para acelerar as detenções e deportações.

“Eles têm mais agentes, mais dinheiro, mais espaço para detenção, mais parceiros locais e sistemas melhores. E finalmente estão juntando todas as peças para montar essa máquina de deportação”, declarou ao NYT.

Flórida e Texas concentram detenções

O aumento das prisões aparece em praticamente todo o território dos EUA. Até estados menos populosos, como Montana e Vermont, registraram mais que o dobro das taxas anteriores.

Em números absolutos, porém, Flórida e Texas, estados governados por aliados da Casa Branca, estão entre os principais centros da ofensiva.

Na Flórida, o ICE realiza mais de 230 prisões diariamente. No Texas, são mais de 380. Em ambos os estados, o crescimento supera 100 detenções por dia na comparação com os três meses anteriores.

A expansão também alcançou estados governados por democratas. Em Nova Jersey e no Novo México, por exemplo, o número de detenções dobrou, apesar da existência de legislações locais destinadas a limitar a cooperação entre forças estaduais e autoridades federais de imigração.

ICE ganha milhares de funcionários

O avanço das operações está diretamente ligado ao aumento da estrutura disponível para o ICE. O quadro de funcionários da agência passou de aproximadamente 21 mil pessoas no início do atual mandato de Trump para 29 mil em junho, segundo dados do Escritório de Gestão de Pessoal.

Outro instrumento utilizado é o programa “287(g)”, que permite que policiais estaduais e locais exerçam determinadas funções relacionadas à fiscalização migratória.

Atualmente, aproximadamente 14% das detenções realizadas no país ocorrem por meio dessas parcerias.

Somente na Flórida, o programa resultou em pelo menos 15 mil prisões durante o atual governo. No Texas, foram quase 10 mil. Em estados menores, como Wyoming e Virgínia Ocidental, mais da metade das detenções migratórias está vinculada à iniciativa.

A ampliação da estrutura também envolve os locais destinados aos estrangeiros detidos. Embora o governo ainda não tenha alcançado a meta de 100 mil vagas em centros de detenção, novas instalações estão sendo abertas e existe a previsão de transformar armazéns em espaços de custódia.

Deportações passam de mil por dia

A escalada das prisões também tem sido acompanhada por um ritmo elevado de deportações. Os Estados Unidos estão removendo do território nacional, em média, mais de mil pessoas por dia.

O aumento dos voos destinados ao transporte de deportados ajuda a sustentar esse ritmo. Segundo dados do ICE Flight Monitor, mantido pela organização Human Rights First, julho registrou 329 decolagens, o maior número já contabilizado pelo levantamento.

Com mais agentes, participação crescente das polícias locais, expansão dos centros de detenção e aumento dos voos de remoção, o governo Trump amplia a estrutura necessária para levar adiante sua política de deportações em massa. Os números mais recentes mostram ainda que o alcance das operações deixou de se concentrar principalmente em estrangeiros com antecedentes criminais e passou a atingir um universo mais amplo de imigrantes nos Estados Unidos.

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