Júri condena acusado da morte de Tupac Shakur quase 30 anos após assassinato do rapper

Duane Keith Davis foi considerado culpado por homicídio em primeiro grau; defesa anunciou que pretende recorrer da decisão

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O assassinato de Tupac Shakur, um dos crimes mais marcantes da história do hip-hop, teve um novo desfecho nesta segunda-feira (31). Um júri de Las Vegas, nos Estados Unidos, declarou Duane Keith Davis, de 63 anos, culpado pela morte do rapper, quase três décadas depois do crime.

A decisão foi tomada por unanimidade por 12 jurados, após quase três horas de deliberação. Davis foi condenado por homicídio em primeiro grau com uso de arma letal, acusação que pode resultar em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

O réu, que sempre negou a acusação, informou ao juiz que pretende recorrer da decisão. O julgamento havia começado em 17 de agosto e colocou novamente no centro das atenções um dos episódios mais conhecidos da trajetória de Tupac Shakur.

Acusação apresentou gravações e livro de memórias

A promotoria sustentou que Davis, apontado como ex-líder de uma gangue de Los Angeles, participou da organização do ataque contra Tupac em 1996. Para apresentar sua versão dos acontecimentos, os promotores utilizaram gravações de conversas e declarações feitas pelo próprio acusado ao longo dos anos.

Entre as principais evidências estava o livro de memórias “Compton Street Legend”, lançado por Davis em 2019. Além da publicação, investigadores utilizaram gravações de reuniões e conversas nas quais ele teria relatado detalhes sobre os acontecimentos que antecederam o assassinato.

Segundo a acusação, Davis estava enfurecido depois que Tupac e integrantes de sua comitiva agrediram seu sobrinho em um cassino de Las Vegas, em 7 de setembro de 1996. Horas depois, o grupo teria saído à procura do rapper e de Marion “Suge” Knight, então executivo da gravadora Death Row Records.

Ataque aconteceu em Las Vegas em 1996

De acordo com os relatos apresentados durante o julgamento, Davis estava em um Cadillac branco acompanhado de outros três homens. Ele afirmou que passou uma arma para o banco traseiro do veículo quando o grupo saiu em busca de Tupac e Suge Knight.

Quando encontraram o carro em que estavam o rapper e o executivo, um dos homens que ocupavam o banco traseiro teria aberto fogo. Tupac foi atingido pelos disparos e morreu aos 25 anos.

A promotoria não apontou quem teria sido o responsável por apertar o gatilho. Os outros três homens que estavam no veículo naquela noite já morreram. Mesmo sem ser identificado como o atirador, Davis poderia ser responsabilizado pelo homicídio segundo a legislação de Nevada.

Caso Tupac marcou a história do hip-hop

Davis era apontado como líder do Southside Compton Crips, grupo de rua da região de Los Angeles que mantinha rivalidade com a Mob Piru, associada a Tupac e à Death Row Records.

A morte de Tupac Shakur se transformou em um dos acontecimentos mais emblemáticos da história do rap. O assassinato ocorreu durante o auge das disputas entre grupos ligados às cenas musicais das costas Leste e Oeste dos Estados Unidos.

Quase 30 anos depois, a condenação de Davis encerra uma das investigações mais acompanhadas do universo do hip-hop. O caso, porém, ainda pode ter novos capítulos, já que o condenado afirmou que pretende recorrer da decisão.

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