O senador Davi Alcolumbre protocolou na noite de segunda-feira o projeto de decreto legislativo que indica Pacheco, senador pelo PSB de Minas Gerais, para ocupar a cadeira deixada por Bruno Dantas no TCU.
Segundo interlocutores do presidente do Senado, a intenção é colocar a indicação em votação já nesta terça-feira. O procedimento poderá ocorrer diretamente no plenário, sem que o texto precise passar pelas comissões da Casa.
A vaga ficou disponível depois que Bruno Dantas antecipou sua aposentadoria para deixar o tribunal e seguir para a iniciativa privada. A possibilidade de Pacheco assumir o posto, porém, já vinha sendo discutida por Alcolumbre havia meses.
Governo Lula sinaliza apoio à escolha
O Palácio do Planalto deverá orientar a bancada governista a votar favoravelmente à indicação. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, afirmou que a tendência é de apoio, embora tenha destacado que a escolha cabe ao próprio Senado.
A movimentação ocorre em meio à aproximação entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo espera avançar nesta semana com projetos considerados relevantes para a agenda política do presidente.
Entre as propostas estão a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança, que amplia a participação da União nas ações de segurança pública.
Pacheco reúne apoio entre diferentes grupos
O senador Renan Calheiros, que presidia o Senado em 2014, quando Bruno Dantas teve seu nome aprovado para o TCU, também declarou apoio à indicação de Pacheco.
A escolha é vista por parlamentares envolvidos nas articulações como uma possibilidade de reduzir tensões políticas dentro do Senado. Pacheco mantém trânsito entre diferentes bancadas e já comandou a Casa.
A avaliação de aliados é que a nomeação pode reunir diferentes forças políticas em torno de um nome conhecido no Congresso, em um momento de reaproximação entre o Senado e o governo federal.
Nome chegou a ser cotado para o Supremo
Antes da indicação ao TCU, Pacheco chegou a ser considerado um dos nomes preferidos de Alcolumbre e de outros senadores para a vaga no Supremo Tribunal Federal aberta com a saída de Luís Roberto Barroso.
Lula, no entanto, escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o posto. A decisão provocou forte reação no Senado e culminou na rejeição da indicação pelos parlamentares no fim de abril.
A derrota de Messias foi considerada histórica, por ter sido a primeira vez em 132 anos que o Senado rejeitou uma indicação presidencial ao STF.
Pacheco desistiu de disputar o governo de Minas
A indicação ao TCU ganhou força também depois que Pacheco recusou os apelos de Lula para disputar o governo de Minas Gerais nas eleições de 2026.
O presidente passou meses tentando convencer o senador a entrar na disputa, principalmente pela importância estratégica de Minas Gerais para a eleição presidencial. Pacheco, porém, decidiu não concorrer.
Diante da recusa, Lula escolheu o deputado federal Patrus Ananias, do PT de Minas Gerais, como candidato ao governo estadual.
Com Pacheco fora da disputa eleitoral e sinalizando o encerramento de sua trajetória no Congresso, a possibilidade de assumir uma cadeira no TCU passou a ser considerada uma alternativa natural por aliados.
O Tribunal de Contas da União é formado por nove ministros. Três são indicados pelo Senado, três pela Câmara dos Deputados e três pelo presidente da República. A vaga deixada por Bruno Dantas pertence à cota do Senado.







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