Polícia prende dupla suspeita de aliciar crianças para exploração sexual na casa de professor no Rio

Homem preso na Gávea é apontado como líder de esquema criminoso que recebia pagamentos via Pix; investigação também apura participação de mães das vítimas

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, neste sábado (10), um homem e uma mulher suspeitos de participar de um esquema de aliciamento e exploração sexual de crianças e adolescentes na casa de um professor universitário, no Grajaú, na Zona Norte da capital. As investigações apontam que vítimas de até 10 anos eram levadas ao imóvel em troca de pagamentos e outras vantagens financeiras.

Os presos são Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, localizado na Gávea, na Zona Sul, e Ariane de Oliveira Minas, detida em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Uma terceira mulher suspeita de envolvimento no esquema continua sendo procurada.

Segundo a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav), os investigados respondem por estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição e associação criminosa.

O professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins, apontado como autor dos abusos, está preso preventivamente desde março deste ano.

Pagamentos por Pix e festas usadas para exploração sexual

De acordo com a investigação, Luiz Alberto, que é funcionário público, seria o responsável por organizar o esquema criminoso. Ele recebia transferências bancárias por Pix feitas por Cordovil para levar crianças à residência do professor.

A polícia também aponta que Luiz Alberto promovia festas utilizadas para a exploração sexual de crianças e adolescentes. Os investigadores o identificam como líder da suposta organização criminosa.

Ariane, por sua vez, é suspeita de recrutar adolescentes para frequentar a casa do professor, no Grajaú, mediante promessas de compensações financeiras.

A delegada Maria Luiza Machado, titular da Dcav, informou que a investigação também apura a participação de mães que teriam submetido as próprias filhas à exploração sexual em troca de dinheiro ou outros benefícios.

Professor usava presentes e dinheiro para se aproximar das vítimas

As investigações indicam que Cordovil se aproveitava da situação de vulnerabilidade social das crianças e adolescentes para conquistar a confiança delas.

Segundo a Polícia Civil, o professor oferecia dinheiro, alimentos, celulares, presentes e outras vantagens. Esses benefícios também teriam sido utilizados para tentar garantir o silêncio das vítimas.

Transferências bancárias foram reunidas no inquérito como parte das provas. As três primeiras vítimas identificadas também forneceram informações sobre outras adolescentes que frequentavam a residência do investigado.

A polícia relatou dificuldades para localizar e intimar algumas dessas possíveis vítimas, principalmente aquelas que vivem em comunidades.

Polícia encontrou mais de 8 mil arquivos no celular do investigado

Durante a apuração, agentes encontraram mais de 8 mil arquivos com conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes no celular de Cordovil.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a quantidade de registros levanta a suspeita de que o número de vítimas seja superior ao identificado inicialmente.

A investigação aponta que os abusos eram praticados na residência do professor, onde também teriam sido produzidos fotografias e vídeos. Parte do material, segundo a polícia, chegou a ser compartilhada.

Cordovil tornou-se réu em processo que tramita na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital. O Ministério Público solicitou à Justiça a fixação de indenização mínima de R$ 500 mil para cada vítima identificada.

Até a divulgação das informações, as defesas dos dois suspeitos presos neste sábado ainda não haviam apresentado manifestações públicas sobre as acusações.

A Polícia Civil continua investigando a possível participação de outras pessoas e busca identificar novas vítimas do esquema.

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