O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) reuniu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e lideranças municipais neste domingo (11) para discutir a mobilização eleitoral nas duas semanas que antecedem o segundo turno. Durante o encontro, o senador acusou a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de disseminar informações falsas e cobrou uma atuação mais rápida da Justiça Eleitoral.
A reunião ocorreu durante um almoço no Terraço Notiê, no centro de São Paulo, e contou com a participação de prefeitos e vereadores da Região Metropolitana. Também estiveram presentes o presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado (PL), e o senador eleito Guilherme Derrite (PP), ex-secretário estadual da Segurança Pública.
O encontro foi realizado no mesmo dia em que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp.
Flávio cobra atuação mais rápida da Justiça Eleitoral
Durante o discurso aos aliados, Flávio Bolsonaro defendeu que o TSE intensifique a fiscalização de conteúdos divulgados durante a campanha presidencial.
“Eu espero de verdade que a Justiça Eleitoral continue, seja mais ágil inclusive. Porque os caras criaram até um canal de divulgação de mentiras em massa”, afirmou.
O senador também acusou a campanha adversária de utilizar informações falsas para prejudicar sua candidatura.
“E hoje o principal instrumento que nós temos é a comparação. De um lado, o governo mentiroso. Gente, é uma coisa que causa uma revolta, a quantidade de mentiras que eles estão inventando. E é de propósito, a estratégia de campanha é mentira”, declarou.
As acusações foram apresentadas pelo candidato durante o encontro político. A existência de uma estratégia deliberada de divulgação de informações falsas por parte da campanha petista não foi demonstrada nas declarações reproduzidas.
Flávio também negou que pretenda extinguir benefícios sociais ou interromper a política de reajuste do salário mínimo, como afirmou que seus adversários estariam divulgando.
“Ninguém vai tocar em programas sociais. Eu vou só melhorar”, garantiu.
Suspensão de canal de Janones amplia embate
A cobrança de Flávio ocorreu poucas horas depois da decisão de Kassio Nunes Marques que determinou a suspensão do canal Exército do Lula no WhatsApp.
A medida atendeu a um pedido da campanha do senador, que acusou André Janones de coordenar a divulgação de conteúdos falsos e ataques políticos contra o candidato do PL.
O canal reunia mais de 3 milhões de seguidores e era utilizado para compartilhar mensagens e materiais relacionados à campanha de reeleição de Lula.
Na decisão, Nunes Marques considerou que a estrutura estava sendo utilizada para disseminar conteúdos anteriormente questionados pela Justiça Eleitoral.
A determinação provocou reação do presidente Lula, que participou neste domingo da Marcha pela Democracia, na Avenida Paulista, em São Paulo.
Durante a manifestação, o petista criticou a suspensão e questionou a atuação da Justiça Eleitoral diante de decisões que considera desfavoráveis à sua candidatura.
Kassio Nunes Marques foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
André Janones também contestou a medida, classificando-a como censura e anunciando que pretende transferir parte da mobilização de seus seguidores para o Instagram.
Tarcísio e Ricardo Nunes pedem mobilização
Apesar de demonstrar confiança no desempenho de sua campanha, Flávio Bolsonaro pediu aos aliados que evitem a sensação de vitória antecipada.
“Não tem nada resolvido”, afirmou o candidato.
O senador destacou a necessidade de garantir o comparecimento dos eleitores que votaram nele no primeiro turno e ampliar o diálogo com outros segmentos do eleitorado.
Tarcísio de Freitas também cobrou empenho dos prefeitos e vereadores nas duas semanas finais da campanha.
O governador defendeu ações para reduzir a abstenção e ampliar o contato com eleitores ainda indecisos.
Durante o encontro, Tarcísio afirmou que nunca havia presenciado uma campanha tão mentirosa, em referência à atuação dos adversários políticos.
Ricardo Nunes, por sua vez, orientou as lideranças municipais a intensificar a distribuição de materiais de campanha, organizar bandeiraços e reativar comitês eleitorais.
A participação dos prefeitos foi tratada como parte da articulação para ampliar a presença da candidatura de Flávio Bolsonaro nos municípios da Grande São Paulo.
Segurança pública também entra no discurso
Além das críticas à campanha de Lula, Flávio Bolsonaro apresentou propostas para a segurança pública.
O candidato defendeu a criação de mais de 500 mil vagas no sistema prisional e o endurecimento das penas para determinados crimes.
Entre as medidas mencionadas está a elevação para oito anos da pena mínima aplicada ao crime que descreveu como roubo de celular.
Flávio também voltou a defender o enquadramento de facções criminosas e milícias na legislação antiterrorismo.
Guilherme Derrite, eleito senador e ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo, afirmou que o enfrentamento às organizações criminosas deverá ocupar posição de destaque em um eventual governo do candidato do PL.
As propostas, caso apresentadas formalmente e levadas adiante, dependeriam de análise legislativa e de avaliação sobre sua implementação.
Campanhas intensificam atividades antes do segundo turno
O almoço político em São Paulo ocorreu em um momento de intensificação das agendas de Flávio Bolsonaro e Lula.
Enquanto o candidato do PL reuniu lideranças municipais e integrantes de sua base política, o presidente participou de uma manifestação na Avenida Paulista, organizada por estudantes, movimentos sociais e partidos de esquerda.
As duas campanhas também ampliaram a disputa em torno da circulação de conteúdos nas redes sociais, com acusações recíprocas e pedidos de intervenção da Justiça Eleitoral.







Deixe um comentário