Dois homens suspeitos de integrar a milícia comandada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, conhecido como Juninho Varão, foram presos pela Polícia Civil no bairro Valverde, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo as investigações, a dupla atuava diretamente na cobrança de taxas ilegais impostas a comerciantes da região, utilizando intimidação para garantir os pagamentos.
A ação foi realizada por agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), unidade especializada no combate a organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro.
Os presos foram identificados como Bruno da Silva Ribeiro, conhecido como “Di Porcão”, e Marcus Vinícius Tibúrcio Dionisio, apelidado de “GTA”. De acordo com a polícia, os dois desempenhavam funções diferentes durante as cobranças realizadas em estabelecimentos comerciais.
Enquanto Bruno abordava diretamente os comerciantes para exigir dinheiro, Marcus Vinícius permanecia nas proximidades, observando a movimentação e oferecendo cobertura ao comparsa.
Pistola com numeração raspada e dinheiro apreendido
Durante a operação, os policiais encontraram com Marcus Vinícius uma pistola calibre .40 com a numeração suprimida, característica que dificulta a identificação da origem e o rastreamento da arma.
Com Bruno, os agentes apreenderam R$ 1,9 mil em espécie. As investigações apontam que os comerciantes eram pressionados a realizar os pagamentos em dinheiro.
A atuação atribuída aos suspeitos integra o modelo de extorsão investigado pela Polícia Civil em áreas sob influência de grupos paramilitares na Baixada Fluminense.
As cobranças ilegais são apontadas como uma das fontes de financiamento dessas organizações, que utilizam ameaças e intimidação para impor pagamentos a moradores e responsáveis por estabelecimentos comerciais.
A prisão dos dois suspeitos representa mais uma ação policial contra a estrutura operacional do grupo conhecido como Bonde do Varão.
Quem é Juninho Varão, apontado como chefe da milícia
Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão, é investigado pela Polícia Civil, pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Polícia Federal como líder de uma organização criminosa com atuação principalmente em Nova Iguaçu.
Segundo as autoridades, o grupo também exerce influência em áreas de Queimados e de outros municípios da Baixada Fluminense.
Juninho Varão é apontado como chefe do Bonde do Varão, organização investigada por constituição de milícia privada, extorsão e lavagem de dinheiro.
Sua trajetória no crime organizado está associada à antiga milícia comandada por Wellington da Silva Braga, conhecido como Ecko, que exerceu controle sobre diferentes territórios do estado.
Após a morte de Ecko, em 2021, e a fragmentação da estrutura liderada posteriormente por Danilo Tandera, Juninho Varão teria ampliado sua influência e assumido o domínio de áreas da Baixada Fluminense.
As investigações apontam que a organização utiliza ameaças e violência para controlar comunidades e explorar atividades econômicas nos territórios onde atua.
Milícia teria movimentado R$ 10 milhões em dois anos
Além das cobranças impostas a comerciantes, o Bonde do Varão é investigado por explorar serviços e atividades econômicas em regiões sob seu domínio.
Entre as práticas atribuídas ao grupo estão a cobrança de taxas ilegais de moradores, a exploração de serviços de internet, a comercialização de gás e diferentes modalidades de extorsão.
Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro, divulgada em 2024, apontou que a organização teria movimentado aproximadamente R$ 10 milhões entre 2022 e 2023.
O valor dimensiona a movimentação financeira investigada pelas autoridades e ajuda a explicar a prioridade dada ao combate às fontes de arrecadação do grupo.
Juninho Varão é considerado foragido e alvo de mandados judiciais. Nos últimos anos, operações da Polícia Civil, da Polícia Federal e do Ministério Público buscaram atingir tanto a estrutura financeira quanto integrantes apontados como responsáveis pelas atividades criminosas.







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