Campeã pan-americana de canoagem morre após acidente no Quebra-Mar, na Barra

Rie Luciana Nagasako conquistou dois ouros no Pan-Americano de 2025 e chegou a alertar sobre riscos da navegação no Quebra-Mar, onde sofreu o acidente

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

A canoa havaiana brasileira perdeu uma de suas campeãs nesta sexta-feira (9). A remadora e professora Rie Luciana Nagasako, vencedora de duas medalhas de ouro no Pan-Americano de 2025, morreu após sofrer um acidente no mar, na região do Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A atleta estava internada em estado gravíssimo desde quinta-feira (8), quando foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros.

Luciana foi levada ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul da cidade. A morte foi confirmada pela direção da unidade, que informou que a paciente não resistiu, apesar dos esforços da equipe médica.

O acidente aconteceu durante uma manobra para aproximar a canoa da Praia dos Amores. Segundo relatos publicados por testemunhas nas redes sociais, as condições do mar estavam difíceis, e a embarcação enfrentou problemas antes de começar a afundar.

A morte da atleta provocou comoção entre amigos, alunos e integrantes da comunidade de canoa havaiana, modalidade à qual ela dedicava sua vida como competidora e professora.

Acidente aconteceu em área conhecida pela atleta

O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h23 de quinta-feira para atender à ocorrência no Quebra-Mar. Após o resgate, Luciana foi encaminhada ao hospital em estado gravíssimo.

De acordo com relatos divulgados nas redes sociais, a remadora caiu na água durante uma tentativa de aportar uma canoa dupla na Praia dos Amores. Testemunhas afirmaram que o mar estava revolto e que a embarcação teria perdido o controle antes de sofrer danos e começar a afundar.

Luciana ocupava a posição de leme, responsável por conduzir e direcionar a canoa. Ainda segundo os relatos, o colete salva-vidas utilizado pela atleta teria afrouxado em meio à força da água.

As circunstâncias descritas pelas testemunhas não foram confirmadas oficialmente pelas autoridades responsáveis pelo atendimento.

O local do acidente era conhecido pela remadora, que trabalhava e treinava na região. Em entrevista concedida em 2025, ela já havia manifestado preocupação com as condições de navegação no Quebra-Mar.

Na ocasião, Luciana apontou que o assoreamento na saída do Canal da Joatinga dificultava a passagem das embarcações e tornava a remada mais pesada. Também defendia maior fiscalização de barcos motorizados que circulavam nas praias e lagoas.

Dois ouros no Pan-Americano e destaque internacional

Rie Luciana Nagasako havia conquistado dois títulos no Pan-Americano de Canoa Havaiana, realizado em novembro de 2025, na Ilha de Páscoa, território chileno localizado no Oceano Pacífico.

A atleta venceu as categorias V6 Master, disputada por equipes de seis remadores com mais de 40 anos, e V3 Open, realizada em canoas de três lugares, sem restrição de idade.

Aos 47 anos, na época da competição, Luciana já acumulava conquistas importantes. Além dos títulos brasileiros que garantiram sua classificação para o torneio continental, havia conquistado uma medalha de bronze no Mundial da modalidade sprint.

Sua trajetória competitiva começou em 2022, mas o desempenho em poucos anos foi suficiente para levá-la ao cenário internacional.

Sem patrocínio para custear a participação no Pan-Americano, a remadora organizou uma campanha de arrecadação nas redes sociais para conseguir representar o Brasil.

Em entrevista concedida antes da competição, destacou que o sucesso na canoa havaiana dependia de estratégia e conhecimento das condições marítimas.

“Não se ganha na força, mas na inteligência. Precisamos ter a leitura do mar, do vento e da ondulação. O leme é o que surfa o barco e o direciona”, explicou.

Outro acidente levou Luciana à canoa havaiana

A relação de Luciana com a modalidade começou depois de um acidente ocorrido em 2017, quando sofreu uma queda ao descer uma rampa de skate em Petrópolis, na Região Serrana do Rio.

Na ocasião, precisou desviar de um ônibus e acabou fraturando o tornozelo. Após a recuperação, percebeu que não conseguia mais permanecer muito tempo em pé sobre uma prancha de stand up paddle.

Por orientação médica, passou a procurar uma atividade que permitisse remar sentada. Foi assim que conheceu a canoa havaiana, esporte que começava a ganhar espaço no Rio de Janeiro.

Na época, morava em Vargem Grande e precisava se deslocar até a Urca para aprender a modalidade. Com o passar dos anos, tornou-se professora e passou a incentivar a prática na Barra da Tijuca.

Luciana mantinha a escola Barra Va’a e também ministrava aulas no Clube Náutico Mandala, por meio do Projeto Somar.

Atleta incentivava inclusão e participação feminina

Além das competições, Luciana dedicava parte importante de sua rotina ao ensino da canoa havaiana. A professora atendia quase 50 alunos em suas duas bases de trabalho.

Entre os praticantes estavam pessoas com deficiência visual, autistas e paratletas amputados. Parte desses alunos recebia descontos de 50% nas atividades, iniciativa que ampliava o acesso à modalidade.

A remadora também defendia maior participação feminina nas competições e acompanhava o crescimento da canoa havaiana no Brasil.

A notícia de sua morte provocou uma série de homenagens nas redes sociais. Amigos e alunos lamentaram a perda e enviaram mensagens de solidariedade aos familiares.

“Muito triste, minha grande amiga, te amo!”, escreveu uma pessoa.

Em outra publicação, um integrante de um clube da modalidade pediu orações pela família e resumiu o sentimento entre os praticantes: “A canoa havaiana chora com essa perda”.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo