Representantes da Câmara do Rio e da Assembleia Legislativa (Alerj) acionaram as Polícia Civil, a PF e Ministério Público Federal (MPF) cobrando a investigação das ameaças de ataques contra estudantes e universidades públicas fluminenses. O ofício foi enviado nesta quinta-feira (8) pela vereadora Maíra do MST e pela deputada Marina do MST — ambas do PT — após mensagens ameaçadoras começarem a circular nas redes sociais.
A Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, e a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), em Campos dos Goytacazes, chegaram a entrar em alerta após estudantes denunciarem ameaças de agressão e até de explosão contra instalações das instituições. As mensagens começaram a circular depois de manifestações realizadas por universitários em apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil
As mensagens denunciadas foram atribuídas a participantes de grupos de redes sociais identificados com o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. As parlamentares afirmam que receberam em seus gabinetes diversos prints em que integrantes dos grupos combinam detalhes dos atos de violência.
Segundo o documento encaminhado, membros de um grupo chamado “Juntos com Bolsonaro” discutiram a possibilidade de atear fogo na UFF. Em uma das conversas, um participante chegou a organizar uma lista para “incendiar a UFF de madrugada”, à qual outros integrantes acrescentaram seus nomes. O reitor da instituição, Fábio Passos, chegou a se pronunciar sobre o caso e afirmou que a universidade acionou a Prefeitura de Niterói e as polícias Federal, Militar e Civil, além de tomar medidas internas de segurança.
De acordo com as parlamentares, em um outro grupo, intitulado “Direita Brasil (Niterói)”, as mensagens mencionavam o uso de soco-inglês, canivetes e bombas contra participantes de um ato estudantil marcado para a tarde desta sexta-feira, nas barcas de Niterói. Em uma das conversas, um integrante sugeriu usar uma caminhonete para “passar por cima” dos manifestantes.
A autoria das mensagens, a identidade dos envolvidos e a existência de um eventual plano organizado de ataques ainda dependem de investigação.


Parlamentares pedem identificação dos envolvidos e reforço na segurança
No documento, Maíra e Marina solicitam a abertura de investigações para identificar os responsáveis pelas ameaças e apurar possíveis crimes. Elas também pedem que as autoridades avaliem medidas junto à Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, para preservar os registros e conteúdos das conversas.
O ofício cobra ainda o reforço do policiamento no entorno das universidades e durante manifestações estudantis, além de maior vigilância nos campi, especialmente em laboratórios, acervos e instalações de pesquisa.
“Essas denúncias são gravíssimas e precisam ser investigadas com urgência. Não há espaço na democracia para ameaças e intimidação contra quem estuda, ensina ou pesquisa”, afirmou a Maíra.
A parlamentar da Alerj também manifestou preocupação com a possibilidade de os episódios estarem relacionados a uma articulação para intimidar estudantes durante o período eleitoral.
“As ameaças à UFF e à UENF parecem fazer parte de um ataque coordenado de grupos de extrema direita em várias regiões do país com objetivo de hostilizar e intimidar estudantes. […] Exigimos investigação imediata e queremos saber quem está por trás dessa articulação absurda”, cobrou Marina do MST.







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