A Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, entrou em alerta nesta quinta-feira (8) após estudantes denunciarem ameaças de agressão e até de incêndio contra instalações da instituição. As mensagens começaram a circular depois de manifestações realizadas por universitários em apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.
Entre os conteúdos denunciados está uma mensagem que menciona uma suposta lista para “incendiar a UFF de madrugada”. As ameaças foram atribuídas a participantes de grupos de mensagens identificados com o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Diante da gravidade dos relatos, a reitoria acionou a Polícia Federal e outros órgãos de segurança. Medidas de proteção foram reforçadas nos campi, enquanto estudantes passaram a relatar medo de frequentar a universidade.
A autoria das mensagens e a existência de um eventual plano concreto de ataque ainda dependem de apuração pelas autoridades.
Ameaças começaram após manifestações
O clima de tensão teve início depois de atos políticos realizados por estudantes da UFF em Niterói.
Na noite de segunda-feira (5), um dia após o primeiro turno das eleições, centenas de universitários participaram de uma manifestação em Icaraí em defesa da democracia e de apoio à candidatura de Lula.
Na terça-feira (6), um novo ato ocorreu no Centro de Niterói. Segundo relatos de estudantes, foi a partir dessas mobilizações que começaram a circular mensagens ameaçadoras nas redes sociais.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo, integrantes de um grupo de WhatsApp chamado Juntos por Bolsonaro compartilharam mensagens com ameaças contra alunos que teriam participado dos protestos.
Uma das publicações trazia a expressão “lista incendiar a UFF de madrugada”, acompanhada de nomes de estudantes.
Em outra conversa, uma pessoa que questionava o conteúdo das mensagens teria sido pressionada por outro participante, que perguntou se ela apoiava Flávio Bolsonaro.
Mensagens mencionam agressões
Além das referências a um possível incêndio, outras mensagens mencionavam agressões físicas contra estudantes identificados como apoiadores do PT.
Em uma das conversas, participantes falavam sobre uma manifestação marcada para esta quinta-feira (8), às 19h, com a intenção declarada de “bater nos petistas de Tel Aviv”.
A expressão fazia referência a uma região de Niterói associada à presença de estudantes universitários.
Em outro grupo, denominado Direita Brasil, participantes foram orientados a comparecer à manifestação usando camisas do Brasil e levando ovos e tintas nas cores verde e amarela.
Não há confirmação de que as ameaças tenham sido executadas ou de que todos os participantes desses grupos estivessem envolvidos na elaboração das mensagens.

Reitor aciona Polícia Federal
O reitor em exercício da UFF, Fábio Passos, divulgou um pronunciamento confirmando que a universidade recebeu denúncias sobre ameaças à integridade física de estudantes e ao patrimônio da instituição.
Segundo ele, as manifestações realizadas pelos universitários fazem parte do direito constitucional de expressão política.
“Nossos estudantes estão fazendo manifestações pacíficas sobre a situação eleitoral atual, e eles o fazem dentro do seu direito constitucional de expressar as suas ideias e suas opiniões políticas”, afirmou.
O dirigente explicou que a universidade recebeu diversos alertas da comunidade acadêmica sobre os conteúdos compartilhados nas redes sociais.
Diante da situação, a instituição comunicou os fatos à Polícia Federal, às polícias Civil e Militar e à Prefeitura de Niterói.
“Tomamos todas as medidas necessárias, denunciamos essas ameaças e tomamos todas as medidas para reforçar a segurança em todos os nossos campi”, declarou.
O reitor também pediu tranquilidade à comunidade universitária e defendeu a preservação do ambiente democrático.
Aulas suspensas e medo entre alunos
A circulação das mensagens provocou apreensão dentro da universidade. Algumas unidades acadêmicas, entre elas o Instituto de Letras, chegaram a suspender aulas em razão das ameaças.
O estudante Wendel Rodrigues Silva relatou que o clima de preocupação aumentou ao longo do dia, especialmente depois que os conteúdos passaram a circular entre os alunos.
No fim da tarde, após a repercussão do caso e o pronunciamento da reitoria, um integrante do grupo Vem pra Rua publicou uma mensagem afirmando que as ameaças não passavam de uma brincadeira de mau gosto.
A explicação, entretanto, não afastou a preocupação dos estudantes.
“Sabemos que palavras podem gerar ações. Talvez esse grupo de adolescentes não faça, mas a iniciativa deles pode incentivar outros grupos”, afirmou Wendel.
A avaliação do estudante é de que mensagens desse tipo podem estimular outras pessoas a praticar atos de violência, independentemente da intenção original de quem as publicou.
UFF reforça segurança nos campi
Em nota oficial, a Universidade Federal Fluminense informou que encaminhou imediatamente às autoridades o material recebido por seus canais institucionais.
A instituição também estabeleceu contato com o gabinete do secretário de Gestão Integrada de Niterói para solicitar reforço no policiamento e nas medidas de proteção.
Internamente, a Superintendência de Operações e Manutenção (SOMA) foi acionada para intensificar a segurança nas instalações universitárias.
A universidade informou ainda que acompanha a apuração dos fatos e permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
A prioridade, segundo a instituição, é garantir a integridade dos estudantes, professores, servidores e demais integrantes da comunidade acadêmica, além de proteger o patrimônio público.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre a identificação formal dos responsáveis pelas ameaças ou eventuais medidas judiciais decorrentes das denúncias.







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