Autor do impeachment de Dilma, Reale diz que votar em Flávio é legitimar golpe

Um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff declara apoio à reeleição do petista e faz críticas à proposta de anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro

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Um dos personagens jurídicos centrais do processo que terminou com o impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016, entrou na campanha presidencial deste ano em uma posição que chama atenção pelo simbolismo. O advogado Miguel Reale Júnior declarou nesta quarta-feira (7) apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez duras críticas ao adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL).

Ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, Reale Júnior publicou nas redes sociais uma carta intitulada “Cuidado com o precipício”. No texto, sustenta que votar em Flávio significaria, na avaliação dele, respaldar a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e “legitimar o golpe”.

“Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe, dando sinal de aprovação à tentativa de assunção ao poder pela força e de desamor à democracia”, escreveu o jurista.

Críticas à anistia

Reale Júnior associa sua posição à defesa feita por Flávio Bolsonaro de medidas que beneficiariam condenados pelos atos de 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo o advogado, o eleitor que apoiar Flávio deve levar em consideração essa posição ao decidir seu voto no dia 25.

O jurista também direcionou críticas à relação do candidato do PL com os Estados Unidos e à defesa de classificar organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas. Para Reale, a medida poderia criar uma brecha para interferência norte-americana no país. Trata-se da avaliação expressa pelo advogado na carta.

Reale Júnior citou ainda o modelo de segurança pública de El Salvador, país governado por Nayib Bukele, como outro ponto de preocupação.

Segundo ele, a adoção no Brasil de uma política baseada em prisões em massa e restrições ao devido processo penal poderia resultar em “repressão indiscriminada”.

Jurista reconhece desgaste de Lula

Apesar do apoio no segundo turno, Reale Júnior não poupou Lula e o PT de críticas. Ele afirmou haver desgaste político do presidente e “cansaço” de parcela da sociedade com o discurso petista.

Ainda assim, sustenta que a comparação entre as duas candidaturas o levou a apoiar Lula.

“Se é certo que o PT e o próprio Lula revelam o desgaste do tempo e permeia a sociedade um cansaço com o discurso petista, todavia, uma coisa é segura: com os governos petistas não se instala a apologia ou a tentativa do golpe militar, se preserva nossa independência e não se promove um estado policialesco”, escreveu.

Ao final da manifestação, Reale voltou ao título escolhido para a carta e fez um alerta sobre a decisão que será tomada no segundo turno.

“Nada justifica que, ao se pretender mudar o rumo, tome-se o caminho do precipício”, afirmou.

Apoio a Lula não é inédito

Embora tenha participado diretamente do processo que resultou no impeachment de Dilma, Reale Júnior já havia apoiado Lula na eleição presidencial de 2022.

Naquele pleito, o jurista, que inicialmente defendia uma candidatura de terceira via, declarou voto no petista ainda no primeiro turno. Sua justificativa naquele momento também estava relacionada à defesa das instituições democráticas.

Agora, quatro anos depois, o advogado volta a tomar posição em favor de Lula em uma eleição contra outro integrante da família Bolsonaro.

No primeiro turno de 2026, realizado no último domingo (4), Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos. Lula obteve 45,16%. Os dois disputam o segundo turno no dia 25.

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