O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, entrou diretamente no cenário político brasileiro após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Na noite de quinta-feira (8), o líder israelense telefonou para Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e o convidou a visitar Israel. O contato foi divulgado nesta sexta-feira (9) pelo gabinete do premiê.
Segundo o comunicado oficial, Netanyahu e Flávio conversaram sobre a possibilidade de reaproximação diplomática entre Brasil e Israel, cujas relações atravessam um período de tensão durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as intervenções do exército israelense na Faixa de Gaza.
A iniciativa ocorre em meio à disputa do segundo turno presidencial e chama a atenção pelo contraste entre a aproximação de Netanyahu com Flávio Bolsonaro e os desentendimentos públicos do primeiro-ministro israelense com Lula.
Netanyahu fala em renovar amizade entre Brasil e Israel
Em nota divulgada pelo governo israelense, o gabinete de Netanyahu apresentou a conversa como parte de um movimento de aproximação com países da América do Sul.
“Os dois pretendem renovar a profunda amizade entre os dois países como parte da transformação em curso nas relações de Israel com os países sul-americanos”, afirmou o comunicado.
A declaração indica o interesse manifestado pelo governo israelense em restabelecer uma relação mais próxima com o Brasil. O convite para que Flávio Bolsonaro visite Israel também representa um gesto diplomático direcionado ao candidato brasileiro durante a campanha presidencial.
O contato ocorreu poucos dias depois do primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4), quando Lula e Flávio Bolsonaro avançaram para a etapa decisiva da disputa pelo Palácio do Planalto.
Relação entre Netanyahu e Lula é marcada por divergências
A aproximação com Flávio Bolsonaro acontece em um contexto de relações estremecidas entre os governos brasileiro e israelense, principalmente por causa da guerra na Faixa de Gaza.
Lula tem criticado reiteradamente a atuação militar de Israel no território palestino e acusa o governo Netanyahu de cometer genocídio contra a população de Gaza. As declarações provocaram reações das autoridades israelenses e aprofundaram o distanciamento diplomático entre os dois países.
Um dos episódios mais graves ocorreu em fevereiro de 2024, quando Israel declarou Lula persona non grata, expressão diplomática utilizada para indicar que uma autoridade estrangeira não é bem-vinda ao país.
A decisão foi anunciada depois de declarações do presidente brasileiro sobre a ofensiva militar israelense em Gaza, consideradas ofensivas pelo governo Netanyahu.
Desde então, os posicionamentos dos dois governos sobre o conflito permanecem divergentes, especialmente em relação à condução das operações militares e à situação humanitária da população palestina.
Convite ocorre em meio à disputa presidencial
O telefonema também coloca a política externa brasileira em evidência durante o segundo turno das eleições de 2026.
Ao procurar Flávio Bolsonaro e manifestar interesse em renovar a amizade entre os países, Netanyahu sinalizou publicamente sua disposição de estabelecer um diálogo mais próximo com o candidato do PL.
O gesto, entretanto, não representa uma mudança formal na política externa brasileira, que continua sob responsabilidade do governo Lula.
A eventual visita de Flávio Bolsonaro a Israel poderá abrir espaço para novas conversas sobre as relações bilaterais, mas, por enquanto, não há confirmação de viagem ou anúncio de compromissos diplomáticos.
Segundo a CNN Brasil e a AFP, Eduardo Bolsonaro também participou do telefonema. Flávio retribuiu o convite e chamou Netanyahu para visitar o Brasil. O premiê havia parabenizado o candidato pelo desempenho no primeiro turno, no qual obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.







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