Polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida domina redes e vira 4º maior repercussão digital no ano

Discussão ultrapassa 2,39 milhões de menções e ganha novo impulso com decisões divergentes de André Mendonça, Flávio Dino e Luiz Fux

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A controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida ultrapassou 2,39 milhões de menções nas redes sociais e se transformou no quarto episódio político de maior repercussão digital em 2026. Os números fazem parte de relatório do Instituto Democracia em Xeque, que acompanhou o debate durante quatro dias e meio e foi divulgado pelo jornal O Globo.

A discussão ganhou força na reta final da campanha presidencial após a circulação de conteúdos que associavam o candidato Flávio Bolsonaro (PL) à possibilidade de retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Flávio nega que pretenda adotar a medida. A controvérsia teve como uma das referências um projeto apresentado em 2007 e posteriormente arquivado.

De acordo com o levantamento, a repercussão do caso fica atrás de outros três episódios políticos: o embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso Master, com 3,5 milhões de menções; a revelação de que Flávio pediu dinheiro ao dono do Banco Master para a cinebiografia “Dark horse”, com 3,05 milhões; e a medida do governo Lula que proibiu bets, com 2,9 milhões.

Judicialização alimenta novas ondas de comentários

O Instituto Democracia em Xeque pondera que os períodos analisados não são idênticos. No caso de Nossa Senhora Aparecida, foram considerados quatro dias e meio. Na discussão sobre a proibição das bets, aproximadamente quatro dias.

Os pesquisadores avaliam ainda que o volume de manifestações sobre a santa permanece estável e pode aumentar diante dos novos capítulos da disputa judicial.

O caso passou pelas mãos de André Mendonça, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e dos ministros Flávio Dino e Luiz Fux, no Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça determinou a retirada de publicações; Dino posteriormente derrubou a ordem em relação a conteúdos questionados; e Fux suspendeu a decisão de Dino, fazendo prevalecer provisoriamente a determinação anterior até uma análise pelo plenário. Nesta quarta-feira, o TSE deve analisar o caso.

Para Alexsander Chiodi, cientista político e coordenador de Relatórios no Instituto Democracia em Xeque, a sequência de decisões acabou ampliando a exposição do assunto.

“A tentativa de judicialização e remoção de posts teve o efeito rebote, pois reacendeu o caso em vez de contê-lo. Cada nova decisão judicial, de Mendonça a Dino e a Fux, gerou um novo pico de menções”, aponta Chiodi ao Globo.

Fé e identidade superam discussão sobre fake news

O monitoramento também procurou identificar quais aspectos mais mobilizaram os usuários. Segundo Chiodi, a dimensão cultural apareceu à frente do debate sobre a classificação dos conteúdos como notícia falsa.

“No monitoramento de 2,39 milhões de menções, o que mais foi movimentado foi o debate cultural, com 29%, à frente da classificação do tema como fake news. Esse um sinal de que o assunto é muito mais uma questão de fé e de identidade do que uma acusação eleitoral”, afirma Chiodi.

O levantamento identificou estratégias distintas no debate político. No campo da esquerda, houve postagens de devoção a Nossa Senhora Aparecida e manifestações críticas a Flávio Bolsonaro, além de comemorações após a decisão de Dino.

A reação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também entrou na disputa. A entidade negou participação na disseminação da informação sobre uma suposta intenção de Flávio de retirar o título da santa e afirmou que acusações sem provas contra a instituição são injustas.

Disputa religiosa entra na campanha

Entre apoiadores de Flávio Bolsonaro, a reação se concentrou na acusação de que adversários estariam utilizando a religião eleitoralmente e difundindo uma informação falsa. O candidato também contestou publicamente a associação entre seu nome e a retirada do título de Padroeira do Brasil.

O grupo passou ainda a destacar referências religiosas da família Bolsonaro. Flávio afirmou que Jair Bolsonaro é católico e recuperou a consagração realizada durante o governo do ex-presidente, ao sustentar que sua “briga é contra a mentira, nunca contra a Igreja”.

Com decisões judiciais ainda em discussão e a proximidade do primeiro turno, o episódio deixou de ser apenas uma controvérsia nas redes e passou a envolver diretamente TSE e STF. A decisão de Fux tem caráter provisório, enquanto a palavra final sobre a disputa deverá caber ao colegiado do Supremo.

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