O último debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) antes do primeiro turno da eleição para o governo de São Paulo foi marcado pela presença de temas nacionais e pela troca de acusações envolvendo aliados e suspeitas de ligação com o crime organizado.
Realizado nos estúdios da TV Globo, na capital paulista, o encontro durou cerca de duas horas e avançou pela madrugada desta quarta-feira (30). Sem perguntas de jornalistas, os dois candidatos se enfrentaram diretamente nos quatro blocos.
Apesar de o debate tratar de questões estaduais, assuntos relacionados aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) ocuparam parte significativa da discussão. A Argentina de Javier Milei também entrou no confronto entre os candidatos.
Lula, Bolsonaro e Milei entram no debate
Haddad citou Lula diversas vezes durante o encontro e relacionou Tarcísio ao governo Bolsonaro. O candidato do PT também mencionou Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa pela Presidência, nas considerações finais, quando afirmou que o senador representa uma “ameaça ao País” e o associou a casos que estão em discussão no cenário nacional.
Tarcísio, por sua vez, fez referências ao governo Bolsonaro e citou Flávio apenas no encerramento. Ao discutir a situação econômica do Brasil, o governador defendeu ajuste fiscal e contenção de despesas do governo federal.
A política econômica de Milei também foi discutida. Ao responder a uma pergunta de Tarcísio sobre sua atuação como ministro da Fazenda, Haddad questionou se o adversário queria levar o modelo do presidente argentino para São Paulo. Tarcísio respondeu que Milei recebeu uma situação complexa ao assumir o governo argentino e defendeu a redução das despesas primárias no Brasil.
Crime organizado provoca troca de acusações
Um dos momentos de maior confronto ocorreu no início do debate, quando os candidatos discutiram relações políticas de aliados com pessoas investigadas por ligação com organizações criminosas.
Haddad questionou Tarcísio por ter pedido votos para os filhos do ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso em uma operação que investiga suspeitas de participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista. Tarcísio respondeu que sua relação com a família Leite sempre foi institucional e afirmou que nenhum integrante da família ocupava cargo no governo estadual.
Tarcísio também citou o vereador Senival Moura (PT), preso neste ano sob suspeita de envolvimento com o PCC. Haddad, por sua vez, voltou a mencionar questões relacionadas à segurança pública e à atuação do crime organizado em São Paulo.
Economia e obras estaduais entram no confronto
A discussão sobre economia também levou os candidatos a tratar de governos federais. Tarcísio questionou Haddad sobre o número de pedidos de recuperação judicial de empresas durante o governo Lula e citou casos como Casas Bahia.
Haddad defendeu medidas adotadas pela União e afirmou que a renegociação da dívida dos Estados com o governo federal beneficiou São Paulo. Segundo o candidato, a medida deu ao governo estadual mais espaço financeiro para obras e investimentos.
Tarcísio rebateu dizendo que os recursos federais destinados a obras paulistas são, em parte, empréstimos que serão pagos pelo Estado. O governador também afirmou que as contas de São Paulo estão em dia.
Na discussão sobre infraestrutura, Tarcísio atribuiu atrasos em obras como o Rodoanel Norte e a Linha 6-Laranja do metrô aos efeitos da Operação Lava Jato. Haddad, por outro lado, destacou a participação do governo federal em investimentos no Estado.
Temas de São Paulo ficam para a parte final
Questões diretamente relacionadas ao governo paulista apareceram de forma mais concentrada na segunda metade do debate. Haddad criticou a gestão de Tarcísio em áreas como saúde, educação, políticas para mães de crianças autistas e transparência de benefícios fiscais.
O candidato do PT também voltou a criticar a privatização da Sabesp, os pedágios no modelo free flow e as concessões de linhas do metrô. O tema da companhia de saneamento apareceu apenas a partir da metade do terceiro bloco.
Tarcísio negou as críticas sobre a Sabesp e afirmou que a empresa não havia recomendado que consumidores deixassem de consumir a água da torneira. O governador relacionou alterações na captação ao período de chuvas e à presença de areia e outros detritos.
Educação também é discutida no fim
A educação foi outro assunto tratado já na parte final do encontro. Haddad criticou o desempenho de São Paulo em indicadores de aprendizagem e defendeu mudanças no ensino médio.
Tarcísio respondeu citando a melhora do desempenho da rede estadual e mencionou o Selo Nacional de Compromisso com a Alfabetização, concedido pelo Ministério da Educação ao governo paulista pelo desempenho de 2024.
Segundo o material do debate, a rede estadual paulista melhorou em 2025 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), mas São Paulo ficou na 10ª posição entre os Estados naquele indicador. Em março, o governo estadual recebeu o grau ouro do selo do MEC voltado ao compromisso com a alfabetização.







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