O advogado Willer Tomaz acionou a Justiça de São Paulo para tentar recuperar R$ 163 milhões que afirma ter perdido em apostas na plataforma Blaze. Na ação, ele alega sofrer de ludopatia, transtorno relacionado ao impulso de apostar, e sustenta que a empresa teria permitido a continuidade dos jogos mesmo depois de ter conhecimento de seu problema e de receber pedidos para bloquear seu acesso.
O processo foi apresentado à 44ª Vara Cível de São Paulo e busca reparação pelas perdas acumuladas ao longo de um ano. Documentos citados na ação indicam cifras bilionárias: Tomaz teria movimentado aproximadamente R$ 10 bilhões entre ganhos e perdas somente na Blaze em 2025.
De acordo com comprovante anual de apostas atribuído à própria plataforma e apresentado no processo, foram R$ 4,8 bilhões em ganhos em jogos de cassino e R$ 4,963 bilhões em perdas. O resultado seria um prejuízo líquido de aproximadamente R$ 163,2 milhões.
Defesa alega vício em apostas
A argumentação apresentada à Justiça sustenta que o comportamento de Tomaz demonstraria um quadro grave de dependência de jogos. O advogado afirma estar em tratamento psiquiátrico e apresentou um relatório médico emitido em 9 de julho de 2026 que, segundo a ação, aponta um quadro compulsivo intenso relacionado às apostas.
O ex-ministro Eugênio Aragão, sócio de Tomaz e advogado responsável pela ação, sustenta que o volume e a frequência das apostas seriam incompatíveis com um comportamento recreativo.
A defesa também afirma que a plataforma deveria ter adotado medidas para impedir a continuidade das apostas depois de ter sido informada sobre a situação do usuário.
Mensagens pediam bloqueio da conta
Entre os elementos apresentados à Justiça estão capturas de tela de mensagens atribuídas a Tomaz nas quais ele teria solicitado o bloqueio do acesso aos jogos e pedido para deixar de receber promoções que estimulassem novas apostas.
Segundo o processo, apesar dessas manifestações, a conta teria permanecido disponível para apostas. Esse ponto integra a argumentação usada pela defesa para atribuir à plataforma responsabilidade pelas perdas posteriores.
Caberá à Justiça avaliar as alegações, os documentos apresentados e eventual manifestação da empresa antes de decidir se existe responsabilidade da plataforma pelas perdas reclamadas pelo advogado.
Valores chegam aos bilhões
A dimensão das movimentações é um dos principais pontos da ação. Segundo os documentos citados, Tomaz registrou bilhões de reais tanto em ganhos quanto em perdas durante 2025.
A defesa compara o prejuízo líquido atribuído ao advogado com os números da própria operação da Blaze no país. Conforme balancete mencionado no processo, a receita bruta da plataforma no Brasil teria alcançado R$ 1,9 bilhão entre janeiro e novembro de 2025.
Nesse cálculo apresentado pelos advogados, os R$ 163,2 milhões de prejuízo de Tomaz representariam aproximadamente 8,6% desse montante.
Procurada, a defesa de Willer Tomaz afirmou que cifras divulgadas sobre o caso seriam “fantasiosas” e acrescentou que, por se tratar de assunto de natureza pessoal, não faria outros comentários.
Willer já foi alvo de buscas da PF
Além da disputa judicial com a plataforma de apostas, Willer Tomaz teve seu nome envolvido recentemente em outro caso de repercussão nacional. O advogado foi alvo de mandados de busca da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Tomaz também mantém relação de amizade com Flávio Bolsonaro (PL). Na semana passada, o candidato à Presidência descreveu publicamente o advogado como amigo próximo ao comentar as investigações envolvendo seu nome.
A relação ganhou destaque durante a campanha após reportagens revelarem que Flávio utilizou um apartamento pertencente a uma empresa de Tomaz e viajou em uma aeronave da qual o advogado detinha uma participação.







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